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MADRID, 1 jul. (EUROPA PRESS) -
A presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Mirjana Spoljaric, chegou nesta quarta-feira a Moscou como parte de uma visita de dois dias para abordar “questões humanitárias críticas” relacionadas à guerra na Ucrânia, desencadeada em fevereiro de 2022 pela ordem de invasão assinada pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, conforme confirmado pela organização.
“A visita também é uma oportunidade para debater questões humanitárias que surgem em decorrência de conflitos armados em todo o mundo”, destacou o CICR, acrescentando que está previsto que as reuniões em Moscou abordem “assuntos relacionados ao Direito Internacional Humanitário”, entre elas “a importância de proteger a população civil e a infraestrutura da qual ela depende”, “os direitos dos prisioneiros de guerra e de outras pessoas protegidas” e os esforços para determinar o paradeiro das pessoas desaparecidas.
Nesse sentido, o órgão ressaltou que a visita de Spoljaric a Moscou “faz parte do diálogo humanitário atual que o CICR mantém com as autoridades russas”, ao mesmo tempo em que explicou que a organização “mantém esse tipo de diálogo com as partes envolvidas em conflitos armados para discutir suas obrigações, nos termos das Convenções de Genebra, de limitar o sofrimento na guerra”.
“Ao manter uma presença operacional e neutra em ambos os lados da linha de frente, o CICR presta ajuda vital às populações vulneráveis, independentemente de quem sejam ou onde estejam”, afirmou, antes de lembrar que, além de seu trabalho nos dois países, “a Agência Central de Buscas do CICR, em Genebra, coleta, armazena e transmite informações indispensáveis sobre o que aconteceu com militares e civis desaparecidos ou separados de seus familiares”.
Posteriormente, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, expressou o desejo de Moscou de “fortalecer” o órgão, “especialmente no que diz respeito à independência e imparcialidade”, conforme informou a agência de notícias russa Interfax. “Valorizamos o fato de que a liderança do comitê tem trabalhado de forma consistente para manter esses princípios há décadas”, afirmou ele durante um encontro com Spoljaric.
Lavrov enfatizou que “essa tarefa tem uma importância especial nas circunstâncias atuais” e criticou o fato de que “os colegas ocidentais se recusam a respeitar os pilares nos quais se fundamenta o CICR”. “Para ser franco, eles tentam manipular as atividades do CICR em benefício de seus interesses políticos e egoístas”, criticou o chefe da diplomacia russa.
“Essas tentativas são particularmente evidentes no contexto da crise na Ucrânia, onde os países ocidentais tentam, por todos os meios, encobrir e proteger o regime de Kiev, que, sem exagero, comete graves violações e crimes diariamente”, afirmou.
Dessa forma, Lavrov acusou a Ucrânia de cometer “graves violações do Direito Internacional Humanitário e crimes contra a humanidade” no contexto da guerra, diante do impasse no processo de diálogo para pôr fim ao conflito, apesar dos esforços de mediação empreendidos pelo governo de Donald Trump.
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