Europa Press/Contacto/Damian Burzykowski
MADRID, 19 jun. (EUROPA PRESS) -
A Polônia retirou uma importante condecoração concedida ao presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, após sua decisão de batizar uma de suas unidades militares como “Heróis da UPA”, em referência a uma milícia nacionalista que, durante a Segunda Guerra Mundial, lutou pela independência do país e que Varsóvia acusa de ter cometido massacres contra civis poloneses.
O Exército Insurgente Ucraniano (UPA) e outros grupos armados nacionalistas realizaram, em 1943 e 1944, uma campanha de limpeza étnica e massacres na região de Volínia e Galícia, na época sob ocupação nazista, que resultou na morte de dezenas de milhares de civis poloneses.
Zelenski batizou recentemente o Centro de Operações Especiais Norte das forças de operações especiais do Exército como “Heróis da UPA”, uma decisão que levou o presidente da Polônia, Karol Nawrocki, a retirar do mandatário a Ordem da Águia Branca, a mais alta condecoração da Polônia.
“Para a imensa maioria da sociedade polonesa, o Exército Insurgente Ucraniano continua sendo, acima de tudo, a unidade responsável pelos crimes brutais cometidos contra cidadãos poloneses durante a Segunda Guerra Mundial”, explicou o presidente polonês, em um vídeo publicado nas redes sociais, no qual lembra que pelo menos 100 mil cidadãos poloneses foram assassinados pelo UPA.
Nesse sentido, ele afirmou que atribuir esse nome a uma unidade militar ucraniana “tem uma importância que vai muito além das questões internas da Ucrânia”, embora tenha esclarecido que essa decisão “não constitui um ataque à nação ucraniana” e “não implica uma mudança na orientação estratégica da política de segurança polonesa”.
“Existem limites que não podem ser ultrapassados nas relações entre a Polônia e a Ucrânia”, declarou ele, classificando como “indignante, incompreensível e profundamente decepcionante” a decisão de Kiev de batizar uma de suas unidades militares com esse nome, tendo em conta a ajuda da Polônia na luta contra a Rússia e sua atenção aos deslocados ucranianos na Polônia no contexto da guerra.
Em resposta, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sibiga, classificou a decisão como um “erro estratégico” e afirmou que, com isso, “apenas Moscou sai ganhando”.
“Lamentamos que as emoções tenham se exacerbado em Varsóvia e levado os políticos poloneses a tomar medidas injustificadas, impulsivas e desrespeitosas, não apenas contra o presidente Zelenski, mas sobretudo contra o Estado ucraniano”, afirmou.
Assim, ele anunciou que rejeita a alta condecoração estatal polonesa que recebeu em outubro de 2022, a Cruz de Comendador com Estrela. “Vou devolvê-la à Polônia em breve”, disse ele, justificando sua decisão diante de ações que classificou como “temerárias”.
Por sua vez, o primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, alertou que o “conflito” entre os dois países “alegra” o presidente russo, Vladimir Putin, e “abala (seus) aliados”.
Assim, em uma mensagem em suas redes sociais, ele lembrou a Zelenski e Nawrocki que sua “tarefa é acalmar os ânimos, não alimentar a tensão”. “A linha de frente passa por outro lugar”, afirmou, em alusão a Moscou.
Zelenski recebeu a condecoração em abril das mãos do ex-presidente Andrzej Duda por sua contribuição para o desenvolvimento das relações entre a Polônia e a Ucrânia e pela cooperação em matéria de segurança.
A UPA é reconhecida na Ucrânia como a força que lutou pela independência do país. Kiev reconhece os massacres de poloneses cometidos por esse corpo, mas rejeita que se trate de “genocídio”, como os descreve oficialmente Varsóvia desde 2016, com um Parlamento dominado pelo partido Lei e Justiça (PiS).
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