Publicado 03/07/2026 12:16

AMP. – A Polônia pede à Europa um “tratamento especial” para sua fronteira, enquanto os esforços se concentram na Ucrânia

Pede a Kiev um “diálogo honesto” sobre o passado e que não agrave a tensão

25 de junho de 2026: Gdansk, 25/06/2026. Conferência pela Reconstrução da Ucrânia. À esquerda: Donald Tusk. Foto: Lukasz Dejnarowicz / FORUM Ukraine Recovery Conference 2026
Europa Press/Contacto/Lukasz Dejnarowicz

MADRID, 3 jul. (EUROPA PRESS) -

O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, reafirmou nesta sexta-feira que seu país tem “sua própria grande responsabilidade” de defender a fronteira oriental da União Europeia e da OTAN, razão pela qual solicita aos seus parceiros “um tratamento especial”, uma vez que os esforços estão concentrados na Ucrânia.

“A Polônia tem sua própria grande responsabilidade de defender a fronteira oriental da União Europeia. A Ucrânia está lutando, mas a Polônia arca com a maior parte do fardo e precisa de um tratamento especial”, afirmou Tusk, em uma coletiva de imprensa em Varsóvia, em linha com o tom cada vez mais distante em relação ao seu vizinho.

Tusk, no entanto, ressaltou que a Polônia continuará apoiando a Ucrânia na guerra contra a Rússia, embora, de cara à cúpula da OTAN que será realizada na próxima semana em Ancara, capital da Turquia, seu país deva agir com cautela antes de oferecer mais ajuda sem comprometer seus próprios interesses, informa a Polskie Radio 24.

As declarações de Tusk ocorrem em um contexto em que a OTAN está analisando um rascunho para a cúpula da próxima semana na Turquia, no qual se compromete a entregar mais 70 bilhões de euros à Ucrânia em ajuda militar para este ano e o próximo, conforme antecipado pela agência Bloomberg.

As relações entre Varsóvia e Kiev não estão em seu melhor momento, depois que suas desavenças históricas, sempre latentes, tenham se reacendido novamente depois que o presidente ucraniano Volodimir Zelenski aceitou nomear uma milícia do Exército sob o título de “Heróis da UPA”.

O Exército Insurgente Ucraniano (UPA) é uma milícia ultranacionalista acusada por Varsóvia de cometer massacres nos territórios ocupados pela Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Isso provocou um conflito diplomático que levou o presidente da Polônia, Karol Nawrocki, a retirar de Zelenski a Ordem da Águia Branca, a mais alta condecoração do Estado polonês.

“Ninguém jamais nos dirá quais heróis devemos respeitar”, afirmou Zelenski nesta semana ao apresentar ao Parlamento uma proposta para construir um panteão onde se possa homenagear e acolher os restos mortais das personalidades mais notáveis da história do país, entre elas esses milicianos da UPA.

ENCONTRO PARA SUAVIZAR TENSÕES

Em uma tentativa de aproximar as posições, os ministros das Relações Exteriores de ambos os países, Radoslaw Sikorski e Andri Sibiga, se reuniram nesta sexta-feira em Varsóvia. Na véspera do encontro, Zelenski suavizou o tom e lembrou que “a Polônia e a Ucrânia estão ‘unidas pela história’ e sempre houve diferenças”.

Após essa reunião, Tusk afirmou que transmitiram à delegação ucraniana “que é importante buscar uma maneira de estabelecer um diálogo honesto sobre o passado e que não convém agravar a tensão” e destacou que há “indícios” de que “eles compreenderam” que esse conflito é “prejudicial” para ambos os países.

No entanto, Tusk pareceu repreender a Ucrânia pelo fato de a Polônia ser “o único país que demonstra constantemente boa vontade” e previu que será um “processo longo”, que exigirá, portanto, gestos favoráveis também por parte de Kiev.

“Estou convencido de que boas relações entre ucranianos e poloneses são do nosso interesse mútuo, embora exijam boa vontade por parte de Kiev”, afirmou o primeiro-ministro.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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