Europa Press/Contacto/Nir Alon
MADRID, 30 mar. (EUROPA PRESS) -
As autoridades israelenses anunciaram na noite deste domingo a aprovação de um “plano de oração limitado” na Igreja do Santo Sepulcro, horas depois de a Diocese de Jerusalém ter denunciado que a Polícia de Israel impediu a entrada do chefe da Igreja Católica na cidade santa, o cardeal Pierbattista Pizzaballa, na tradicional missa do Domingo de Ramos.
"Em uma reunião de avaliação realizada esta tarde pelo comandante do distrito de Jerusalém, o comissário Avshalom Peled, juntamente com o comandante da zona de David, o superintendente-chefe Dvir Tamam, e em coordenação com o representante do Patriarcado Latino, a fim de permitir a todas as confissões cristãs a liberdade de culto na Igreja do Santo Sepulcro, foi aprovado um plano de oração restrito”, informou a Polícia de Israel em suas redes sociais.
Na mesma comunicação, a polícia defendeu que a “restrição” nos locais sagrados “que carecem de uma área de proteção padrão, incluindo a Igreja do Santo Sepulcro”, decorre “das diretrizes do comando da Frente Interna, motivadas pela preocupação com a segurança dos fiéis”.
Por fim, a Polícia de Israel destacou que tanto a Praça do Muro das Lamentações quanto o Monte do Templo estão "fechados aos fiéis" por motivos de "segurança".
Até o momento, o Patriarcado Latino de Jerusalém ainda não se pronunciou sobre o assunto, após ter lamentado em um comunicado que os policiais israelenses interceptaram neste domingo a comitiva privada liderada por Pizzaballa, quando se dirigia a um dos locais de culto mais importantes do mundo e símbolo da concórdia religiosa da cidade, obrigando-os a dar meia-volta.
Por sua vez, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, garantiu ter “dado instruções” às autoridades competentes para que fosse concedido ao líder religioso “acesso total e imediato” ao referido templo.
“Hoje, por especial preocupação com sua segurança, foi solicitado ao cardeal Pizzaballa que se abstivesse de celebrar a missa na Igreja do Santo Sepulcro”, observou Netanyahu, após precisar que “nos últimos dias o Irã atacou repetidamente com mísseis balísticos os locais sagrados das três religiões monoteístas em Jerusalém”, ocorrendo um deles, segundo ele afirmou, “a poucos metros” desse templo, onde caíram “fragmentos de mísseis”.
Em seguida, o primeiro-ministro israelense insistiu que, “assim que” soube do “incidente com o cardeal Pizzaballa”, deu “instruções às autoridades para que permitissem ao Patriarca celebrar as cerimônias conforme seu desejo”.
CRÍTICAS DA COMUNIDADE INTERNACIONAL
Essa situação também foi rejeitada pelo guardião da Terra Santa, o reverendo Francesco Ielpo, guardião da Igreja do Santo Sepulcro; bem como pela própria comunidade internacional, desde os governos da Itália e da Hungria até o próprio Executivo espanhol, cujo presidente, Pedro Sánchez, instou Israel a respeitar “a diversidade de credos e o direito internacional” após este “ataque injustificado à liberdade religiosa”.
Pouco depois, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, respondeu a Sánchez, repreendendo-o pelo fato de que, quando um “míssil iraniano” atingiu perto da igreja do Santo Sepulcro, “ele não teve nada a dizer”, ao mesmo tempo em que defendeu, em seguida, que seu país “está comprometido com a liberdade de religião e de culto” e que “continuará defendendo-a, ao contrário do regime iraniano”.
O próprio presidente de Israel, Isaac Herzog, ligou para o patriarca para expressar seu “pesar” pelo “infeliz incidente”, assim como deputados do país questionaram a validade da ação policial, sendo um exemplo disso o árabe-israelense Ayman Odeh, que apresentou uma “queixa urgente” ao Ministério da Defesa “depois que o cardeal Pierbattista Pizzaballa foi impedido de entrar na Igreja do Santo Sepulcro para a cerimônia do Domingo de Ramos, apesar da coordenação prévia e do fato de não ser esperada a presença do público”.
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