Europa Press/Contacto/Muntazer Uday Sahib
MADRID, 28 jun. (EUROPA PRESS) -
A Zona Verde de Bagdá, o distrito fortificado que abriga as principais embaixadas e instituições do governo do Iraque, tornou-se, desde a madrugada de hoje, palco de uma enorme operação anticorrupção que resultou, até o momento, em 47 detidos, entre eles vários deputados supostamente ligados a uma grande rede de corrupção revelada pelo ex-vice-ministro do Petróleo, Adnan al Jumaili.
O Exército esteve envolvido nessa operação liderada pelo Serviço Antiterrorista e por agentes da Comissão de Integridade. Os militares chegaram a intervir na Zona Verde com o envio de tanques e veículos blindados, que funcionaram como barricadas para fechar completamente a área diplomática ao tráfego de transeuntes. Com o passar das horas, a operação se estendeu aos bairros de Cidade Sadr e Mansur.
A agência oficial de notícias iraquiana NINA confirmou essas 47 prisões, enquanto a própria Comissão de Integridade vem divulgando os nomes dos detidos aos poucos.
Os nomes mais destacados até o momento são Ali Maraj al Bahadli, atual vice-ministro da Distribuição de Petróleo, sujeito a sanções dos Estados Unidos por supostamente coordenar desvios de petróleo iraquiano em benefício do governo do Irã, e Muthanna al Samarrai, líder do proeminente partido político sunita Aliança Azem, que ocupa 15 das 209 cadeiras do Parlamento iraquiano.
A operação teve início por ordem do novo primeiro-ministro do país, Alí al Zaidi, que assumiu o cargo no mês passado em meio a um cenário político complexo, tanto interno quanto regional.
O Iraque é um país-chave na guerra entre o Irã, os Estados Unidos e Israel, dada a enorme influência de Teerã sobre Bagdá. Os Estados Unidos exigiram do novo governo duas prioridades: limitar a influência das milícias pró-iranianas e empreender, de uma vez por todas, uma “limpeza” contra a corrupção.
Um dos casos mais notórios e que está no epicentro dessa operação, segundo fontes da agência curdo-iraquiana Rudaw, é aquele que tem como protagonista o vice-ministro Al Jumaili, cuja prisão no mês passado desencadeou uma das maiores investigações anticorrupção dos últimos anos no país.
De fato, o deputado curdo Sherwan Dubardani confirmou à agência que Al Jumaili, acusado de desvio ilegal de recursos arrecadados em até quatro grandes refinarias do país e de financiamento ilegal de partidos políticos, citou dezenas de supostos envolvidos, alguns deles aliados políticos do ex-primeiro-ministro iraquiano e antecessor de Al Zaidi, Mohamad Shia al Sudani.
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