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Os talibãs rejeitam a decisão de Washington e enfatizam que “não há estrangeiros detidos com o objetivo de chegar a um acordo”. MADRID 10 mar. (EUROPA PRESS) -
O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira a designação do Afeganistão como “Estado patrocinador de detenções injustas”, acusando o regime talibã de “táticas terroristas” e exigindo o fim das mesmas, ao mesmo tempo em que exigiu a libertação dos americanos presos no país centro-asiático.
“Hoje designo o Afeganistão como Estado patrocinador de detenções injustas”, afirmou o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, em um comunicado divulgado por seu gabinete, no qual denunciou que “os talibãs continuam empregando táticas terroristas, sequestrando pessoas para pedir resgate ou buscando concessões políticas”. “Essas táticas repugnantes devem cessar”, exigiu. Na mesma linha, ele afirmou que “não é seguro para os americanos viajarem ao Afeganistão porque o Talibã continua detendo injustamente nossos compatriotas e outros cidadãos estrangeiros”. “Os talibãs devem libertar Dennis Coyle, Mahmud Habibi e todos os americanos detidos injustamente no Afeganistão agora e comprometer-se a cessar para sempre a prática da diplomacia de reféns”, insistiu.
Em resposta, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Afeganistão, Abdulqahar Balji, classificou como “lamentável” a decisão de Washington e ressaltou que “não há estrangeiros detidos (no país asiático) com o objetivo de chegar a um acordo”.
“Certas pessoas foram detidas por violação das leis e, em muitos casos, foram libertadas no momento oportuno, uma vez concluídos os procedimentos legais”, afirmou, de acordo com um comunicado publicado nas suas redes sociais.
Assim, argumentou que “o Emirado Islâmico do Afeganistão deu, durante o último ano, passos positivos como gesto de boa vontade nos casos de alguns cidadãos americanos detidos”, sem dar mais detalhes a esse respeito.
“Foram realizadas discussões em vários níveis entre o governo do Afeganistão e os Estados Unidos, com a mediação do Catar”, explicou, ao mesmo tempo em que destacou que, nesses contatos, “ambas as partes se comprometeram a dar passos positivos”.
Por isso, Balji sublinhou que Cabul “quer que esta questão seja resolvida e concluída de forma adequada através das discussões em curso e de uma interação construtiva entre ambas as partes”, sem que Washington tenha respondido até ao momento a estas declarações por parte dos talibãs.
Coyle é um cidadão americano de 65 anos que se dedicava à pesquisa acadêmica, especificamente à linguística, e que vivia no Afeganistão há quase duas décadas quando foi detido pela inteligência talibã em janeiro de 2025.
De acordo com o site criado por seus familiares para reunir apoio, Coyle permaneceu detido em condições de quase isolamento, sem liberdade para usar o banheiro sem permissão e sem acesso a cuidados médicos adequados.
Por sua vez, Habibi é um empresário americano nascido no Afeganistão e preso em agosto de 2022 junto com cerca de trinta funcionários de sua empresa, a maioria dos quais já foi libertada.
Desde então, ele está detido sem poder entrar em contato com sua esposa ou filha e sem comunicação com diplomatas americanos, de acordo com a Fundação Foley, uma ONG americana dedicada a buscar a libertação de americanos detidos no exterior. Assim como no caso de Coyle, as autoridades talibãs não apresentaram acusações contra ele.
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