Europa Press/Contacto/Marwan Naamani
A OIM alerta para movimentos populacionais “alarmantes” no Líbano e na fronteira com a Síria, com mais de 90.000 deslocados por ordens de evacuação MADRID 6 mar. (EUROPA PRESS) -
As autoridades do Líbano elevaram nesta sexta-feira para mais de 200 o número de mortos devido à onda de bombardeios lançados por Israel em resposta ao lançamento de projéteis pelo partido-milícia xiita Hezbollah em vingança pelo assassinato do líder supremo do Irã, o aiatolá Alí Jamenei, na ofensiva lançada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra o país asiático.
O Ministério da Saúde libanês indicou em um comunicado que “o saldo da agressão subiu para 217 mártires e 798 feridos”, sem dar detalhes sobre a gravidade do estado dos hospitalizados, embora não se descarte que o número de mortos continue aumentando nas últimas horas.
O Exército israelense lançou pelo menos oito ondas de bombardeios sobre os subúrbios da capital, Beirute, durante o dia, e estão ocorrendo intensos confrontos entre milicianos do Hezbollah e as forças israelenses no distrito de Marjayun, segundo o jornal L'Orient-Le Jour.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que Israel tem como objetivo intensificar a luta tanto contra o Irã quanto contra o Hezbollah durante uma visita oficial à cidade de Beersheba, onde um drone iraniano caiu. “Em um ataque, são necessárias três coisas: primeiro, determinação; segundo, iniciativa; e terceiro, astúcia. Temos muitas delas, como o inimigo já descobriu, e garanto-vos, cidadãos de Israel, que descobrirão ainda mais”, sublinhou o primeiro-ministro, segundo informou o seu gabinete. MOVIMENTOS POPULACIONAIS “ALARMANTES”
O porta-voz da Organização Internacional para as Migrações (OIM), Mohammedali Abunajela, explicou nesta sexta-feira que começaram a ocorrer movimentos populacionais “alarmantes”, especialmente no Líbano e através da fronteira com a Síria. “No Líbano, as ordens de evacuação deslocaram mais de 90.000 pessoas. Esta manhã, prevê-se que o número seja maior. Muitas pessoas já foram obrigadas a abandonar suas casas, o que aumenta a pressão em uma região que está passando por uma das maiores crises de deslocamento do mundo”, alertou durante uma coletiva de imprensa realizada na cidade suíça de Genebra.
Abunajela indicou que, antes da escalada, mais de 19 milhões de pessoas no Oriente Médio estavam deslocadas internamente por conflitos, violência e desastres, com o maior número delas em países como Sudão, Síria e Iêmen, mas também no Iraque e na Líbia.
“Uma desescalada é essencial para proteger os civis, incluindo migrantes e pessoas deslocadas, e garantir o respeito ao Direito Humanitário deve continuar sendo uma prioridade para evitar mais sofrimento humano”, concluiu.
O exército israelense iniciou bombardeios contra o que descreve como alvos ligados ao Hezbollah em resposta aos lançamentos mencionados, aos quais o grupo acrescentou novos disparos de projéteis e drones desde então, sem que as autoridades de Israel tenham confirmado vítimas por causa deles. Além disso, enviou militares ao sul, em uma nova incursão terrestre no país vizinho.
Israel já havia lançado dezenas de bombardeios contra o Líbano nos últimos meses, apesar do cessar-fogo alcançado em novembro de 2024, argumentando que age contra as atividades do Hezbollah e garantindo que, por isso, não viola o pacto, embora tanto as autoridades libanesas quanto o grupo tenham se mostrado críticos a essas ações, igualmente condenadas pelas Nações Unidas.
O cessar-fogo previa que tanto Israel como o Hezbollah deveriam retirar as suas forças do sul do Líbano. No entanto, o exército israelita manteve cinco postos no território do seu país vizinho, algo também criticado por Beirute e pelo grupo xiita, que exigem o fim deste destacamento.
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