MADRID, 8 abr. (EUROPA PRESS) -
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse na segunda-feira durante sua reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que há países dispostos a acolher a população da Faixa de Gaza, enquanto o inquilino da Casa Branca enfatizou que Gaza é "uma armadilha mortal".
"Não os estamos prendendo", mas eles estão "trancados" porque não podem sair, disse Netanyahu em referência ao plano proposto pelos Estados Unidos para reassentar a população palestina do enclave em outros países. "Nós não os prendemos", reiterou.
O líder israelense comparou a situação em Gaza com a de outras guerras, como as da Ucrânia ou da Síria, nas quais as pessoas conseguiram escapar, e defendeu como um compromisso "permitir que o povo de Gaza escolha livremente ir para onde quiser". "Em outras palavras, eles devem ter essa opção", acrescentou, assegurando que há contatos em andamento com outros países que "estão dispostos" a receber palestinos, embora ele não quisesse especificar nenhum nome.
Trump, por sua vez, questionou se Gaza é um "lugar seguro" para os palestinos porque, embora defenda a saída da população, "também há outras ideias". "Vocês sabem como eu a chamo: um grande lugar onde ninguém quer viver", disse ele, reiterando seu desejo de que os EUA controlem o enclave.
"Ter uma força de manutenção da paz como os EUA lá, controlando e possuindo a Faixa de Gaza seria uma coisa boa", disse ele, ao mesmo tempo em que chamou o enclave palestino de "um pedaço incrível de imóveis nobres".
Trump criticou as autoridades israelenses por "tomar um pedaço de propriedade à beira-mar e dá-lo às pessoas pela paz. Como isso funcionou?", referindo-se à retirada de 2005, com o desmantelamento dos assentamentos judaicos.
"Israel nunca deveria ter entregado Gaza. Não sei por que eles fizeram isso (...) Não sei. Prometeram-lhes paz, mas não funcionou. Gaza é uma perigosa armadilha mortal", argumentou.
O ocupante da Casa Branca também disse que "gostaria de ver a guerra acabar", o que, segundo ele, não aconteceria em um "futuro muito distante".
Por outro lado, Netanyahu indicou que Israel está trabalhando em um novo acordo de libertação de reféns e cessar-fogo "e esperamos que seja bem-sucedido". O objetivo final é que todos os reféns sejam libertados, disse ele.
"A história dos reféns é obviamente uma história humana de agonia insuportável (...) Queremos que todos os reféns sejam libertados", disse ele, enfatizando que mantém contato com suas famílias, que "estão sofrendo", "todos os dias".
Em outra questão, Trump levantou a possibilidade de mediação entre Israel e Turquia, que estão em desacordo sobre a influência turca na Síria após a derrubada de Bashar al-Assad em dezembro de 2024. O presidente dos EUA disse que tem um relacionamento muito bom com seu colega turco, Recep Tayyip Erdogan, uma pessoa "muito inteligente".
Ele parabenizou Erdogan por fazer "o que ninguém foi capaz de fazer em 2.000 anos: conquistar a Síria" e propôs agir como intermediário com Israel. "Acho que podemos resolver qualquer problema que vocês tenham com a Turquia, desde que sejam razoáveis. Vocês precisam ser razoáveis", argumentou ele, apelando para Netanyahu.
Nesse sentido, o representante israelense comemorou o fato de que "não podemos ter um interlocutor melhor do que o presidente dos Estados Unidos para" evitar um conflito com o país asiático, embora tenha ressaltado que "não queremos que a Síria seja usada por ninguém, nem mesmo pela Turquia, como base para atacar Israel".
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