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MADRID, 22 abr. (EUROPA PRESS) -
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, atacou na segunda-feira seu colega salvadorenho, Nayib Bukele, a quem acusou de ser um "violador em série" dos direitos humanos, depois que este último ofereceu a repatriação de mais de 250 migrantes venezuelanos deportados pelos Estados Unidos para uma prisão de segurança máxima em El Salvador, em troca da libertação de "prisioneiros políticos" mantidos em Caracas.
"Bukele tem agido com esquemas nazistas. Bukele é um violador em série do direito à liberdade, ao tratamento justo e à dignidade dos seres humanos; o produto desse sequestro e desaparecimento forçado desse grupo de venezuelanos está sendo debatido aqui", declarou ele durante seu programa de televisão Con Maduro +, no qual denunciou o "sequestro absolutamente ultrajante de 252 venezuelanos" e seu internamento "em campos de concentração sob maus-tratos e tortura" no país centro-americano.
Maduro lamentou que lhes tenha sido negado o acesso a seus familiares, bem como "o acesso a advogados salvadorenhos contratados por seus familiares, a órgãos das Nações Unidas" e denunciou o fato de estarem presos apesar de "não terem cometido nenhum crime lá".
"Eles foram simplesmente sequestrados. É um sequestro do Estado, é um grave crime contra a humanidade contra esse grupo de venezuelanos e contra outros grupos de latino-americanos, dois meses depois que as famílias, suas mães, seus filhos exigiram que o Sr. Bukele desse uma prova de vida e publicasse a lista das pessoas que foram sequestradas lá de forma ilegítima e brutal", acrescentou.
O presidente venezuelano também lembrou que seu homólogo reconheceu publicamente "que tem 252 venezuelanos em prisões à sua disposição, sem julgamento, sem juízes, sem direito ao devido processo, sem direito à defesa e, além disso, se recusa a publicar a prova de vida de cada um deles, a responder às suas mães e a responder aos seus advogados que foram contratados".
Diante do abuso absoluto dos direitos humanos, eu lhe digo, Sr. Bukele: "seja legal, responda ao questionário do Procurador Geral, Tarek William Saab, sobre a prova de vida de todos os jovens migrantes venezuelanos sequestrados em El Salvador", disse ele depois que o procurador solicitou novamente a "libertação imediata" deles, para a qual ele já entrou com um 'habeas corpus' em março perante o sistema judiciário salvadorenho.
Em declarações ao canal de televisão estatal VTV, Saab chamou Bukele de "violador em série dos direitos humanos no planeta Terra" e rejeitou a proposta do presidente salvadorenho, que neste fim de semana propôs a libertação dos prisioneiros venezuelanos em troca dos presos detidos na Venezuela por motivos políticos.
"Não podemos comparar, repito, o caso de pessoas detidas na Venezuela por tentarem assassinatos, realizarem assassinatos em série, tentarem assassinar o presidente da república, Nicolás Maduro, explodirem quartéis, sequestrarem pessoas para fomentar o caos neste país e buscarem implodir a convivência pacífica", disse.
Assim, ele prometeu que "o Ministério Público não vai parar um segundo, um minuto, assim como os Poderes Públicos do Estado venezuelano (...) até que a libertação imediata de nossos compatriotas inocentes seja alcançada".
O procurador-geral da Venezuela criticou que essa é "uma ação sem precedentes na história moderna da humanidade (...) Ele já confirmou que sequestrou mais de 250 venezuelanos como desaparecidos forçados, que não cometeram crimes em El Salvador e que não tiveram a possibilidade de ter advogados, de serem levados a um tribunal".
Por outro lado, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, chamou Bukele de "palhaço, imbecil" durante uma coletiva de imprensa em Caracas.
Rodríguez também se referiu à proposta de Bukele sobre a troca: "Os donos do circo pegaram um de seus palhaços, escolheram um palhaço, administrador do campo de concentração, para fazer essa proposta", disse ele, antes de exigir a publicação de uma lista oficial de venezuelanos "sequestrados".
"Quais são os crimes de que são acusados? Quem são seus advogados de defesa? Quem são os promotores que os acusam? E em que tribunal de El Salvador seus casos estão pendentes? Essas são perguntas elementares, porque nada disso está acontecendo", argumentou.
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