Ele destaca a “responsabilidade especial” que os europeus têm diante das pretensões dos EUA MADRID 15 jan. (EUROPA PRESS) - O presidente da França, Emmanuel Macron, destacou nesta quinta-feira a “responsabilidade especial” das nações europeias na Groenlândia, diante das repetidas ameaças dos Estados Unidos de controlar o território autônomo pertencente à Dinamarca, ao mesmo tempo em que anunciou um reforço aéreo, marítimo e terrestre para a mobilização francesa no âmbito da "Operação Resistência Ártica" anunciada por Copenhague para aumentar a segurança da ilha.
Depois que o Executivo dinamarquês anunciou uma série de exercícios de vigilância que implicarão uma presença ampliada na ilha, à qual se juntaram a Suécia, a Noruega, a Alemanha e a França, Macron enfatizou a “responsabilidade particular” que os europeus têm em relação à Groenlândia, diante das tensões com os Estados Unidos por suas pretensões de anexar este território semiautônomo.
“Este território pertence à União Europeia e é também o território de um dos nossos aliados da OTAN. A França tem um papel a desempenhar”, afirmou em um discurso na base aérea de Istres, onde fez uma revisão da situação da Defesa francesa.
Assim sendo, o presidente francês confirmou que a França já tem no terreno “uma primeira equipa de militares” para contribuir para a missão liderada pela Dinamarca, que “será reforçada nos próximos dias com meios terrestres, aéreos e marítimos”.
As autoridades dinamarquesas anunciaram esta missão pouco antes da reunião na Casa Branca com o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio. A reunião em Washington terminou sem um acordo entre os Estados Unidos e a Dinamarca e confirmou o desacordo com o governo de Donald Trump, que insiste em assumir o controle da ilha ártica alegando motivos de segurança e a crescente presença da China e da Rússia na região do Ártico.
DEFENDE O REARMAMENTO DA FRANÇA “PARA CONTINUARMOS LIVRES” Em seu discurso perante militares franceses, o presidente francês defendeu “acelerar o rearmamento da França diante da aceleração dos perigos”. “Para continuarmos livres, é preciso ser temido. Para sermos temidos, temos de ser poderosos. E para sermos poderosos neste mundo tão brutal, temos de agir mais rapidamente e com maior força”, defendeu, salientando que, até 2030, o orçamento militar da França atingirá os 64 mil milhões de euros.
Isso significa que, nos dois mandatos de Macron, a França terá duplicado o orçamento para suas Forças Armadas. “Isso significa que a nação aceita esforços à altura de nossa época difícil”, admitiu, garantindo que a duplicação do orçamento militar não é feita “por decisão de um ou outro ou para agradar a tal ou qual aliado”. “Nós o teremos duplicado por nossas próprias decisões”, afirmou o presidente. Macron fez um apelo à ação, pois “a história não perdoa a falta de preparação nem a fraqueza” e, nesse sentido, diante de um panorama de segurança mais complexo, as Forças Armadas são “o seguro de vida”.
“A dissuasão nuclear também constitui a pedra angular”, enfatizou, garantindo que “conta com a garantia nuclear” e ressaltando que todos os esforços propostos contribuem para que a França esteja “à altura dos perigos”. DEFENDE MÍSSIL EUROPEU FRENTE À AMEAÇA DO 'ORESHNIK'
No aspecto industrial, o dirigente francês valorizou o fato de a União Europeia ter tomado medidas para aumentar a capacidade de produção europeia e “consagrar” que os programas europeus de financiamento privilegiem as compras europeias.
“Isso também significa que nós, europeus, somos capazes de oferecer uma oferta credível”, afirmou sobre uma questão, a preferência europeia, que “teria sido impensável há apenas alguns anos”, ao mesmo tempo em que enfatizou a importância de produzir mais diante de necessidades como as da Ucrânia, que “recorrem excessivamente a capacidades não europeias” devido à falta de disponibilidade na indústria europeia.
Sobre a fabricação europeia, Macron destacou o trabalho para desenvolver capacidades de mísseis de longo alcance, conhecido como “ELSA”, que “faz todo o sentido” diante do lançamento pela Rússia de um míssil hipersônico “Oreshnik”. “Este lançamento é um sinal muito claro de uma potência que já dispõe de capacidades, mas que decidiu dotar-se deste tipo de meios. A mensagem é clara e, para todos aqueles que pensam que a Rússia seria uma questão que não nos diz respeito, deve ser recebida em alto e bom som. Estamos ao alcance desses disparos”, alertou. Nessa linha, ele enfatizou que, para “continuar sendo credíveis”, os países europeus devem contar com “novas armas” que “mudarão as regras do jogo a curto prazo”.
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