Europa Press/Contacto/Iranian Supreme Leader'S Off
MADRID, 4 jun. (EUROPA PRESS) -
O secretário-geral do partido-milícia xiita Hezbollah, Naim Qasem, expressou nesta quinta-feira sua rejeição ao cessar-fogo alcançado entre o Líbano e Israel, classificando o acordo como “capitulação” e instando à “cessação total” das hostilidades, bem como à retirada das tropas israelenses do território libanês.
Qasem afirmou em um discurso que a cessação das hostilidades acordada entre as partes representa um abandono dos atos de resistência do Líbano diante da “agressão” contínua do Exército israelense, o que, para o líder do Hezbollah, equivale a uma “capitulação, uma derrota e a concretização dos objetivos do inimigo".
"A declaração de Washington é um 'roteiro' para a aniquilação de parte do povo libanês e a subjugação do restante", indicou ele, reiterando que é necessário um “cessar-fogo total da agressão” de Israel sobre o país e a retirada da “ocupação israelense” dos territórios libaneses.
Da mesma forma, o líder do Hezbollah assegurou que “tornar o desarmamento” das milícias a base de qualquer acordo “significa enfraquecer o Líbano e ameaçar sua existência, semear a divisão interna no interesse de Israel e permitir que este alcance politicamente o que não conseguiu pela guerra”.
“Fazemos um apelo aos funcionários libaneses para que ponham fim a essa farsa e humilhação denominada ‘negociações diretas’ e para que se fortaleçam por meio de uma unidade nacional em torno de um Estado soberano sob sua liderança”, argumentou.
Qasem também se distanciou do pacto, argumentando que o Hezbollah “não se comprometeu com ninguém a deixar de resistir ou responder à agressão” e afirmando que “enquanto houver ocupação” em território libanês, “a resistência continuará”.
“Enquanto ela continuar, a enfrentaremos com todas as nossas forças, atacaremos onde quisermos e pudermos, e enquanto nossos povos forem bombardeados e nosso povo assassinado, os assentamentos israelenses não estarão seguros”, afirmou, segundo informou a emissora Al Manar, ligada ao grupo.
O líder do Hezbollah também expressou em seu discurso sua gratidão ao Irã por “lutar para recuperar” as terras libanesas e os direitos do povo libanês “diante da agressão israelo-americana, apesar de seus próprios conflitos”.
Suas palavras foram proferidas depois que o chefe da Força Quds da Guarda Revolucionária Iraniana, Esmail Qaani, também fez um apelo para que as tropas israelenses se retirassem do Líbano até as posições que ocupavam antes do último conflito.
As últimas hostilidades em grande escala eclodiram no último dia 2 de março, quando o Hezbollah lançou projéteis contra território israelense em retaliação ao assassinato do então líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, na ofensiva lançada em 28 de fevereiro por Israel e pelos Estados Unidos contra a República Islâmica.
Desde então, os ataques do Exército israelense no Líbano deixaram mais de 3.500 mortos e 10.600 feridos, apesar de ambos os países terem acordado um cessar-fogo em meados de abril — que, um mês depois, foi prorrogado por 45 dias —, o que não fez cessar os bombardeios, acompanhados por uma invasão terrestre por parte de Israel, que chegou a ameaçar com uma campanha de bombardeios contra a capital, Beirute.
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