BRUXELAS 14 set. (EUROPA PRESS) -
A Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, afirmou nesta segunda-feira que o ataque russo contra um trem de passageiros na Ucrânia, a apenas dois quilômetros da fronteira com a Polônia, tinha como objetivo “assustar” os países ocidentais para que reduzissem seu apoio a Kiev, ante o que ela pediu que se respondesse fazendo “exatamente o contrário” e demonstrando que os aliados não se deixam intimidar por Moscou.
“Acredito que isso tenha claramente o objetivo de assustar os países ocidentais para que deixem de apoiar a Ucrânia e de viajar para lá para demonstrar seu apoio”, afirmou Kallas em declarações à imprensa à margem da Cúpula Europeia do Ártico, realizada em Rovaniemi (Finlândia).
Nesse sentido, a chefe da diplomacia europeia interpretou o ataque como “claramente uma mensagem ao mundo ocidental” e defendeu que a resposta dos parceiros da Ucrânia deve ser manter seu apoio ao país diante da invasão russa.
“A questão para nós é o que extraímos dessa mensagem. Acho que deveríamos fazer exatamente o contrário. Devemos demonstrar que estamos ao lado da Ucrânia e que não nos deixamos intimidar”, enfatizou a política estoniana.
Kallas alertou que ceder diante desse tipo de ação permitiria que Moscou avançasse em seus objetivos na Ucrânia. “Caso contrário, a Rússia simplesmente conseguirá o que quer, que é a submissão da Ucrânia”, afirmou ela, lembrando que as ambições da Rússia não se limitam a Kiev, mas que “seu objetivo final vai muito além”.
SOLIDARIEDADE COM A POLÔNIA
Horas depois, o porta-voz de Relações Exteriores da UE, Christian Wigand, reiterou em uma coletiva de imprensa em Bruxelas o apoio do bloco comunitário à Polônia após o ataque russo a poucos quilômetros de sua fronteira, manifestando apoio a “todos os Estados-membros nesta situação”.
Ele também insistiu que a UE está “trabalhando em conjunto” com os Vinte e Sete para reforçar as aquisições conjuntas na área de defesa por meio de programas como o SAFE e da maior flexibilidade introduzida no Pacto de Estabilidade e Crescimento.
Por sua vez, o porta-voz adjunto da Comissão Europeia, Olof Gill, reiterou que a UE leva “com a máxima seriedade” qualquer ameaça detectada em suas fronteiras orientais e garantiu que o trabalho realizado por Bruxelas em todos os níveis visa “tranquilizar” os cidadãos na Polônia e nos demais países vizinhos da Rússia.
ATAQUE
O ataque ocorreu neste domingo na região ucraniana de Volin, onde um drone russo colidiu com a locomotiva de um trem de passageiros que fazia o trajeto entre Kiev e Varsóvia, a cerca de dois quilômetros da fronteira polonesa. Havia 206 pessoas a bordo do comboio, embora não tenham sido registrados feridos.
No trem imediatamente anterior viajavam os ex-primeiros-ministros do Reino Unido, Boris Johnson, e da Suécia, Carl Bildt, juntamente com outros representantes europeus que voltavam de uma conferência de segurança realizada em Kiev. As autoridades ucranianas denunciaram que o ataque foi “deliberado”.
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