FREDERIC GARRIDO-RAMIREZ - Arquivo
Lamenta que o cenário de um “Irã democrático” esteja “longe de ser seguro” e mostra-se preocupada com o ataque à Turquia BRUXELAS 4 mar. (EUROPA PRESS) -
A Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, pediu para não perder o foco na invasão russa da Ucrânia, apesar da escalada do conflito no Oriente Médio devido aos ataques entre Estados Unidos, Israel e Irã, alegando que não se pode deixar a guerra em território europeu “fora da mesa” porque “é uma ameaça real e muito próxima”.
“Enquanto o mundo se concentra na guerra no Oriente Médio, não podemos permitir que a Ucrânia desapareça da agenda. Moscou pode ter perdido outro aliado em Teerã, mas os mesmos drones que atacam Dubai também estão atacando Kiev”, alertou a chefe da diplomacia europeia sobre o risco de a invasão russa passar para segundo plano. Ela fez essa advertência em uma coletiva de imprensa em Varsóvia, capital da Polônia, após se reunir com o ministro das Relações Exteriores daquele país, Radoslaw Sikorski, na qual voltou a destacar a necessidade de salvar o veto da Hungria ao empréstimo de 90 bilhões de euros à Ucrânia e ao vigésimo pacote de sanções contra a Rússia, duas medidas que precisam da unanimidade dos 27 para serem aprovadas.
Depois de afirmar que “um oleoduto quebrado não deve servir de refém para a defesa da Ucrânia” — em referência ao oleoduto Druzhba, pelo qual Budapeste vetou as medidas a favor de Kiev —, Kallas assinalou que, apesar do conflito aberto no Irã, “não há indícios de que a guerra da Rússia esteja perdendo intensidade”, tudo isso enquanto “as exigências maximalistas” de Moscou em relação às negociações de paz com Kiev “permanecem inalteradas”. “A Europa tem um interesse claro e legítimo em como esta guerra deve terminar. Se não nos expressarmos, ninguém o fará por nós. E se esperarmos demasiado, poderá ser demasiado tarde”, continuou na sua explicação, alertando também para o facto de o conflito no Médio Oriente desviar a atenção das negociações para alcançar a paz em Kiev.
No entanto, a política estoniana comemorou “o lado positivo, se é que há algum”, dos ataques iniciados no sábado pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, pois “a Rússia perdeu mais um aliado” em sua guerra contra a Ucrânia.
No entanto, acrescentou, a União Europeia deve avançar com a proibição dos serviços marítimos aos navios russos, uma vez que “o aumento dos preços do petróleo está a ajudar a Rússia a financiar o conflito”. LONGE DE UM IRÃO DEMOCRÁTICO
Sobre a guerra aberta no Oriente Médio, Kallas apontou que “a estratégia de Teerã é semear o caos” e incendiar a região “atacando indiscriminadamente seus vizinhos”, referindo-se, entre outros assuntos, ao recente míssil balístico lançado pelo Irã contra a Turquia. “Os mísseis que chegam de fora do Oriente Médio são preocupantes. A Turquia é capaz de os abater, também já vimos drones a dirigir-se na nossa direção antes, não nesta guerra”, acrescentou, lembrando que tanto na OTAN, com os artigos 4.º e 5.º, como na UE, com o artigo 42.º, n.º 7, os Estados-Membros podem solicitar a defesa dos seus parceiros em caso de ataque.
Assim sendo, a chefe da diplomacia europeia previu que o regime iraniano “está defendendo firmemente o seu próprio desaparecimento”, mas que, no entanto, embora “o cenário ideal fosse um Irã democrático, que não representasse uma ameaça para os seus vizinhos”, esse é um resultado que “está longe de ser certo”.
“Neste momento, ninguém pode prever o rumo que esta guerra tomará. Para a Europa, é um momento perigoso. A segurança de centenas de milhares de nossos cidadãos na região está em jogo”, acrescentou, reivindicando a assistência consular e o financiamento de voos de repatriação para pessoas retidas na região que a União Europeia está oferecendo neste momento.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático