BRUXELAS, 8 abr. (EUROPA PRESS) -
A Alta Representante da União Europeia para Política Externa, Kaja Kallas, descreveu na terça-feira como "inaceitável" qualquer tentativa de desmembrar a Bósnia e Herzegovina e culpou os líderes da República Srpska, embora sem mencionar o presidente Milorad Dodik, pela crise constitucional no país dos Bálcãs.
"O ambiente de segurança é estável, mas também muito frágil, pois o país enfrenta uma grave crise constitucional. A liderança da Republika Srpska está minando a ordem constitucional e legal, ameaçando as liberdades fundamentais de todos os cidadãos", denunciou o Alto Representante em uma mensagem para as tropas europeias destacadas no âmbito da operação EUFOR/Althea.
Nesse sentido, ela atribuiu aos líderes sérvios "ações que contradizem os compromissos que a Bósnia e Herzegovina assumiu em seu caminho em direção à UE", lamentando que o país esteja a um passo de poder iniciar as negociações de adesão, mas que essa crise esteja impedindo seu caminho europeu.
Em uma coletiva de imprensa posterior à reunião com a presidência tripartite, o chefe da diplomacia europeia insistiu que a Constituição da Bósnia é "a pedra angular" e "deve ser respeitada".
"Qualquer ação que prejudique a integridade territorial, a soberania e a ordem constitucional ou as instituições do Estado é perigosa e inaceitável. Em particular, a legislação e as iniciativas recentes na Republika Srpska prejudicam o trabalho das instituições e sua capacidade de produzir resultados", resumiu ele, ao mesmo tempo em que reconheceu que as autoridades e os atores sérvios da Bósnia resistiram à "pressão política" para permanecer dentro das instituições nacionais, em observações que foram diretamente rebatidas pelo presidente sérvio da Bósnia, Zeljka Cvijanovic.
RESPOSTA DO LÍDER SÉRVIO-BÓSNIO
A líder aliada de Dodik ressaltou que nem a Constituição nem os acordos de Dayton dizem que um "estrangeiro não eleito" pode atuar como legislador na Bósnia, em referência ao Alto Representante, Christian Schmidt, a quem ela acusou de "impor" leis no país.
Cvijanovic respondeu a Kallas que "ninguém" na Republika Srpska fez "nada" para minar a ordem constitucional no país. "Nem uma única coisa", disse ele. "Não concordo com o fato de uma organização internacional não eleita se colocar no lugar das autoridades nacionais. O problema surgiu quando Christian Schmidt mudou a lei", disse ele, enfatizando que a adesão à UE deve ser um produto de "compromisso interno", baseado "apenas na lei europeia" e não usado para resolver questões internas.
A primeira viagem de Kallas à região coincide com a escalada das tensões internas na Bósnia após o mandado de prisão emitido contra Dodik, líder de uma das duas entidades que compõem a Bósnia-Herzegovina, por "atacar a ordem constitucional" ao se recusar a cumprir várias decisões judiciais.
Em suas respectivas mensagens, o presidente da Bósnia, Denis Becirovic, pediu uma ação contra os líderes sérvios da Bósnia pela disputa e comparou a situação na Bósnia à da Espanha, onde "a ordem constitucional foi ameaçada e o Estado respondeu".
"Aqueles que a minaram devem estar sujeitos a sanções. O mesmo vale para a Bósnia e Herzegovina, temos que unir forças para pôr fim a essa tentativa", disse ele, indicando que esses grupos querem bloquear o caminho para a UE e seu horizonte é entrar para o BRICS.
Por sua vez, o presidente croata da Bósnia, Zeljko Komsic, enfatizou que o mandado de prisão contra Dodic foi emitido por um tribunal em Sarajevo. "Não espere que degradem as resoluções das instituições deste país inventando desculpas para não cumpri-las", argumentou. "As decisões judiciais, quer gostemos delas ou não, devem ser cumpridas. E isso é tudo", concluiu.
MENSAGEM PARA AS TROPAS EUROPÉIAS
Mais cedo, diante das forças europeias, a ministra das Relações Exteriores da UE reiterou que o bloco não "toleraria qualquer ameaça à integridade territorial, à soberania e à ordem constitucional" da Bósnia. "Qualquer tentativa de desmembrar o país é inaceitável", enfatizou, em uma mensagem clara às intenções separatistas da Republika Srpska.
Em todos os momentos, Kallas defendeu o papel da operação EUFOR/Althea, insistindo que ela é um "grande exemplo" em um momento em que a UE está concentrada em fortalecer sua segurança e ser capaz de agir diante da turbulência geopolítica.
"Vocês sabem melhor do que a maioria o que é necessário para manter a paz e a segurança em tempos perigosos. Sabem que a pacificação exige esforços diplomáticos, mas que é mantida pela força", disse o ex-primeiro-ministro da Estônia.
O CAMINHO EUROPEU DA BÓSNIA
Kallas argumentou que o povo da Bósnia merece "estabilidade e prosperidade", dois objetivos que serão garantidos ao país se ele se aproximar da UE. "A UE sempre continuará sendo o parceiro mais estável, confiável e previsível do país. Em todos os desafios que o país enfrentou, ele sempre encontrou o apoio da UE e da OTAN", enfatizou.
"Minha mensagem é muito simples. Nós nos preocupamos profundamente com este país e com seu futuro europeu. Os líderes políticos devem trabalhar juntos para resolver os problemas", disse ele, alertando que "a retórica inflamada e as ações divisivas são perigosas" e representam uma "ameaça direta" à Bósnia.
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