O país liderado por Viktor Orbán anunciou que não aprovará nada a favor da Ucrânia até que termine sua “chantagem” energética BRUXELAS 23 fev. (EUROPA PRESS) -
A Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, admitiu que há problemas para que os 27 aprovem nesta segunda-feira o vigésimo pacote de sanções contra a Rússia, depois que a Hungria anunciou que o bloqueará em retaliação ao veto da Ucrânia à distribuição de petróleo russo em território húngaro e eslovaco.
“Hoje haverá um debate sobre o vigésimo pacote de sanções. Mas, como todos sabem, acredito que hoje não haverá avanços a esse respeito. Mesmo assim, sem dúvida vamos insistir nisso”, indicou a chefe da diplomacia europeia em declarações à imprensa antes de participar da reunião de ministros das Relações Exteriores da UE que se realiza hoje em Bruxelas.
Kallas lamentou a posição do país governado por Viktor Orbán, argumentando que os problemas que têm com Kiev “não estão de forma alguma relacionados” com o vigésimo pacote de sanções a Moscou, pelo que pediu para não “misturar questões que não têm qualquer ligação entre si”.
A política estoniana continuou indicando que está “fazendo todo o possível” para levar adiante este pacote de sanções nesta segunda-feira, tentando convencer os países que o estão bloqueando. No entanto, ela sinalizou que, após ouvir “algumas declarações muito firmes” da Hungria, “infelizmente” não vê que eles vão mudar de posição.
“Mas vamos primeiro ouvir quais são as razões que eles apresentam para bloqueá-lo e depois ver se há possibilidades de superá-las”, acrescentou, referindo-se também ao empréstimo de 90 bilhões de euros a Kiev para cobrir suas necessidades urgentes de financiamento, duas medidas que a Comissão Europeia queria que fossem aprovadas hoje, na véspera do quarto aniversário da invasão russa da Ucrânia.
BLOQUEIO DA HUNGRIA EM RETALIO À UCRÂNIA
Neste domingo, o ministro das Relações Exteriores da Hungria, Péter Szijjártó, anunciou o bloqueio no Conselho de Relações Exteriores desta segunda-feira “até que a Ucrânia retome o transporte de petróleo para a Hungria e a Eslováquia através do oleoduto Druzhba”, alegando que, até então, não permitirão “que decisões importantes para Kiev sejam tomadas”.
Já na sexta-feira, a Hungria avisou que bloquearia o empréstimo de 90 bilhões de euros da UE à Ucrânia, após acusar o país liderado por Volodimir Zelenski de estar “chantagem” a Budapeste, interrompendo o trânsito de petróleo em coordenação com Bruxelas e a oposição húngara para criar interrupções no abastecimento à Hungria e aumentar os preços dos combustíveis antes das eleições iminentes.
A posição húngara ocorre em um momento em que o oleoduto Druzhba, o mais longo do mundo e principal via de transporte de petróleo russo para a Europa, está paralisado. Essas instalações estão na mira da Ucrânia, que as atacou várias vezes durante a guerra, para o descontentamento da Hungria e da Eslováquia, que denunciaram que isso ameaça sua segurança energética.
A RÚSSIA DEVE FAZER CONCESSÕES Depois de lembrar que na reunião do Conselho de Assuntos Externos (CAE) desta segunda-feira serão abordados outros assuntos, como a situação no Oriente Médio ou na Venezuela, a Alta Representante também enfatizou a necessidade de pressionar mais a Rússia para que faça concessões com vistas a um acordo de paz com a Ucrânia.
“A pressão nas conversações de paz recaiu sobre a Ucrânia, mas é evidente que deve recair sobre a parte russa, porque são eles os agressores nesta guerra. E se queremos que esta guerra termine, se queremos que não vá mais longe, então também precisamos de ver concessões por parte da Rússia”, defendeu.
Sobre a possibilidade de abrir negociações diretas com o Kremlin, Kallas apontou que é mais importante “definir o que se quer tratar com a Rússia” do que quem vai falar com Moscou. Na sua opinião, “quem quer que seja” que converse com a Ucrânia, “deve levantar a questão do que a Rússia está disposta a conceder”.
No entanto, mostrou-se pouco otimista quanto ao sucesso das negociações tripartidas entre a Rússia, a Ucrânia e os Estados Unidos, porque “os negociadores da parte russa não são realmente sérios e não estão dispostos a discutir nada de natureza política”.
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