Publicado 15/06/2026 08:18

Kallas alerta que não há unanimidade para sancionar o ministro israelense, apesar de a maioria dos países ter solicitado tal me

Áustria, França, Espanha, Irlanda e Países Baixos pedem a proibição do comércio com os assentamentos israelenses na Cisjordânia

A Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, em declarações à imprensa antes do Conselho de Relações Externas (CRE), que se realiza nesta segunda-feira em Luxemburgo.
ALEXANDROS MICHAILIDIS

BRUXELAS, 15 jun. (EUROPA PRESS) -

A Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, alertou nesta segunda-feira que os 27 países-membros não contam com a unanimidade necessária para sancionar o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, apesar de uma maioria dos Estados-membros já apoiar a medida.

“Vários Estados-Membros propuseram sancionar o ministro Ben Gvir. Vamos debater isso hoje. De acordo com minhas consultas, não temos a unanimidade necessária para adotar essa decisão”, indicou em declarações à imprensa antes de participar do Conselho de Relações Externas (CAE), que ocorre nesta segunda-feira em Luxemburgo.

A possibilidade de impor medidas restritivas contra o líder israelense tem sido defendida nas últimas semanas por vários países da União devido ao “sequestro” e às “humilhações” sofridas pelos ativistas da frota humanitária interceptada por Israel quando tentava entregar ajuda a Gaza, entre outras questões.

Os ministros das Relações Exteriores do bloco comunitário devem abordar nesta segunda-feira a situação no Oriente Médio, incluindo a evolução da ofensiva israelense em Gaza e no Líbano e as opções para aumentar a pressão sobre o governo do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, num contexto marcado pelas divisões entre os Vinte e Sete quanto à resposta que a União deve dar.

Segundo fontes diplomáticas ouvidas pela Europa Press, há poucas chances de que os chefes diplomáticos incluam Ben Gvir na lista de sancionados, já que a República Tcheca, a Bulgária e a Hungria são contra, o que torna difícil alcançar a unanimidade necessária para aprovar sanções.

No entanto, os ministros pretendem analisar uma proposta para proibir ou limitar o comércio com os assentamentos israelenses ilegais na Cisjordânia, um ponto que, se for considerado uma política comercial, poderia ser aprovado apenas por maioria qualificada.

APOIO GENERALIZADO ÀS SANÇÕES E PRESSÃO SOBRE OS ASSENTAMENTOS

Ao chegarem à reunião, vários responsáveis do setor apoiaram o endurecimento da resposta europeia em relação a Israel, como a ministra das Relações Exteriores da Áustria, Beate Meinl-Reisinger, que se pronunciou “claramente a favor” de apoiar medidas mais restritivas contra o ministro israelense.

A chefe da diplomacia austríaca considerou “inaceitável” o comportamento dele, em particular em relação aos cidadãos austríacos que participavam da frota humanitária interceptada por Israel. “Ele não é bem-vindo entre nós. Quem trata assim os austríacos não dá uma boa imagem de Israel”, reforçou.

Uma situação que também foi denunciada por seu homólogo italiano, Antonio Tajani, que insistiu em ampliar as sanções contra o líder israelense pelo “trato injustificado aos cidadãos italianos que faziam parte da frota e pelas ofensas inaceitáveis e injustificáveis que dirigiu contra a Itália”.

Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, lembrou que Paris já adotou sanções contra 26 pessoas e entidades ligadas à expansão dos assentamentos na Cisjordânia, entre elas Ben Gvir, e exigiu que essas medidas sejam adotadas por toda a União Europeia.

Segundo ele, a Europa não pode aceitar “a explosão de violência e a continuação da colonização desenfreada na Cisjordânia”, e adiantou que a França solicitará à Comissão Europeia que impeça a importação de produtos provenientes dos assentamentos israelenses, “da mesma forma que a UE proibiu a entrada de mercadorias provenientes da Crimeia após a anexação russa”.

“Não podemos aceitar que a Europa, direta ou indiretamente, acabe com seu comércio ao apoiar atividades ilegais que comprometem as possibilidades de paz entre Israel e a Palestina”, afirmou.

APOSTA EM SANÇÕES COMERCIAIS

Na mesma linha, o ministro espanhol das Relações Exteriores, José Manuel Albares, pediu que a questão fosse submetida a votação para verificar quem está disposto a apoiar o Direito Internacional “com atos”. “Vamos a uma votação. Vamos verificar quem é a favor do Direito Internacional e quem não é", afirmou.

A Irlanda também defendeu concentrar os esforços em medidas comerciais diante dos bloqueios existentes para aprovar sanções individuais. A ministra Helen McEntee reconheceu que alguns Estados-membros continuam a impedir medidas contra líderes israelenses, mas apostou em avançar por meio de propostas que possam ser aprovadas por maioria qualificada.

“Devemos nos concentrar em uma proibição comercial. Acredito que essa via permitiria avançar sem a necessidade de unanimidade. Sabemos que existem bloqueios e que provavelmente não conseguiremos avançar por meio de sanções que exijam consenso total. No entanto, por meio da maioria qualificada e de uma proposta específica sobre comércio, poderíamos tomar uma decisão”, enfatizou.

Da Holanda, o ministro das Relações Exteriores, Tom Berendsen, também apoiou uma ação coordenada em nível europeu, ao considerar que “o sinal é mais contundente” e que a medida seria mais eficaz se fosse aplicada em todo o mercado interno da União.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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