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MADRID, 30 abr. (EUROPA PRESS) -
A Jurisdição Especial para a Paz (JEP) — o tribunal criado a partir dos acordos de paz com as FARC em 2016 — retificou e afirmou que continua analisando o processo de reconhecimento como vítima do guerrilheiro Ricardo Palmera Pineda, conhecido como “Simón Trinidad”, no Caso 06, que trata do “genocídio político” contra a União Patriótica.
A JEP esclareceu em um comunicado que o documento divulgado por meio da última decisão do tribunal não corresponde à lista definitiva de pessoas reconhecidas como vítimas e que foi incluído “por um erro humano”.
“Ele continha informações preliminares sobre pedidos que ainda estão sendo analisados pela JEP. Portanto, não tem efeitos jurídicos nem define reconhecimentos”, explicou o tribunal, que já reconheceu 789 vítimas individuais e cinco entidades coletivas, no âmbito do Caso 06.
Além disso, indicou que há outras 700 solicitações em análise. Entre elas estaria a de ‘Simón Trinidad’, que em dezembro de 2025 solicitou ingressar no processo na qualidade de vítima com base na perseguição que sofreu por sua militância na União Patriótica entre 1985 e 1987, antes de se juntar à guerrilha das extintas FARC, onde participou de vários processos de negociação com o Governo.
Caso seja considerado vítima no processo, ele terá participação especial em todas as fases da investigação e lhe serão garantidos todos os poderes necessários para participar efetivamente da JEP.
Durante sua passagem pelas FARC, “Simón Trinidad” era responsável pela formação política e pela propaganda do grupo armado. Negociador em vários processos de paz, foi capturado em 2004 no Equador, onde se dirigia para se reunir com um enviado da ONU, e extraditado para os Estados Unidos, onde cumpre uma pena de 60 anos por seu envolvimento no sequestro de três contratados americanos.
PETRO CONCORDAM COM A DECISÃO
Por sua vez, o presidente colombiano, Gustavo Petro, se pronunciou sobre o assunto em suas redes sociais e destaca que a história de 'Simón Trinidad' e de outros guerrilheiros como Luciano Marín Arango, conhecido como 'Iván Márquez', é a de vítimas que se tornam "agressores" diante da falta de "justiça e reparação".
“Eles sofreram, junto com suas famílias, a perseguição e o genocídio perpetrados contra o partido de esquerda, a União Patriótica”, relatou o presidente colombiano. “A reação de muitos perseguidos foi pegar em armas”, argumentou.
A JEP determinou que cerca de 5.730 pessoas, entre simpatizantes, candidatos, autoridades públicas e membros da União Patriótica (UP), foram assassinadas com total impunidade em uma aliança entre o Exército, grupos paramilitares e do narcotráfico durante quase 30 anos, principalmente nas décadas de 80 e 90.
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