Mohammed M Skaik / Zuma Press / Europa Press
O Exército israelense pede aos diretores que realizem uma exibição para militares a fim de “abordar de forma fundamentada” as denúncias
MADRID, 14 set. (EUROPA PRESS) -
O Exército de Israel classificou como “totalmente falsa” a alegação de que suas forças teriam planejado e executado um ataque na Faixa de Gaza, no qual se previa cerca de meio mil de vítimas civis, após a divulgação, neste domingo, nas redes sociais, de um trecho de “NAZA” — o novo documentário de dois dos diretores de “No Other Land”, Yuval Abraham e Rachel Szor — no qual um militar israelense, sob condição de anonimato, faz essa afirmação.
“Isso é totalmente falso. As Forças de Defesa de Israel (FDI) nunca planejaram, aprovaram nem realizaram um ataque em Gaza no qual se previsse a morte de 500 civis ou de um número sequer próximo a esse”, declarou o próprio Exército nas redes sociais, citando a publicação, por parte de um usuário, de um trecho de “NAZA” no qual um militar descreve esse ataque.
Acrescentando que “também não foi apresentada, durante toda a guerra, nenhuma afirmação credível que sugerisse que um ataque das FDI tenha causado um número de vítimas fatais nem mesmo próximo desse número”, as forças israelenses criticaram que os diretores “não tinham como verificar essa afirmação, não há provas concretas que a sustentem e, mesmo assim, a publicaram”.
“Além disso, não é possível comprovar nem verificar de forma independente nenhum dado sobre o entrevistado, nem seu serviço nem sua função”, argumentou o Exército israelense sobre o documentário, que se baseia em depoimentos de militares entrevistados sob condição de anonimato para expor o uso de Inteligência Artificial (IA) para perpetrar ataques contra civis na Faixa de Gaza.
“Nunca foi planejado, aprovado nem executado nenhum ataque desse tipo e, no entanto, essa é a afirmação que os realizadores escolheram para promover seu filme. Julgue o restante em conformidade”, concluiu o Exército.
Especificamente, na sequência à qual as Forças de Defesa de Israel (FDI) se referiram, um militar israelense descreve o funcionamento da interface do ‘NAZA’, nome da IA que dá título ao documentário e que é um acrônimo militar derivado do termo hebraico ‘nezek agavi’, utilizado pelas tropas israelenses para indicar o número de civis que se prevê que morram em um ataque aéreo como dano colateral.
Esboçando em um caderno o funcionamento desse sistema, ele afirma que este não faz “nenhuma distinção” entre menores e adultos e que “alguns bombardeios mataram 20, 30 e até 300 pessoas”. Em seguida, questionado sobre o ataque mais mortal, ele afirma não saber “quantos morreram de fato, porque isso nunca foi avaliado, mas houve uma aprovação certa vez para matar 500”.
O EXÉRCITO SOLICITA UMA PROJEÇÃO PARA OS MILITARES
Posteriormente, o porta-voz do Exército israelense, Effie Defrin, pediu aos diretores de “Naza” que “permitam que representantes das Forças de Defesa de Israel (FDI) assistam ao filme na íntegra” para “abordar de forma fundamentada cada uma das afirmações apresentadas nele”. “O debate público em torno do filme deve se basear em fatos, não em deturpações nem em difamações”, acrescentou.
“O filme ‘NAZA’ ainda não foi lançado na íntegra, mas seu material promocional apresenta uma série de acusações graves e falsas contra as FDI e seu pessoal”, afirmou ele em uma mensagem nas redes sociais, onde ressaltou que “as alegações que aparecem nesse material estão incorretas”. “Algumas são até apresentadas de forma distorcida e deturpada, totalmente alheias à realidade no terreno”, defendeu.
“É importante para mim ressaltar o seguinte: as FDI são um exército guiado por valores, que opera de acordo com o Direito Internacional e normas profissionais de cumprimento obrigatório. É assim que temos atuado nos últimos três anos e é assim que continuaremos a agir, mesmo nas condições de combate mais complexas”, destacou Defrin.
Nesse sentido, ele argumentou que o Exército “trabalha incansavelmente para defender o Estado e seus cidadãos” após os ataques de 7 de outubro de 2023. “Juntamente com todos os comandantes das FDI, apoio plenamente os soldados, comandantes e funcionários da instituição, e rejeito categoricamente as difamações infundadas dirigidas contra eles”, afirmou.
“Aqueles que se sacrificaram e defenderam, e continuam defendendo, o Estado merecem receber apoio e proteção em troca”, concluiu Defrin, sem que os diretores de ‘NAZA’ tenham se pronunciado até o momento sobre esse pedido de exibição do filme para militares.
O documentário — produzido pelo “The Guardian” — foi indicado ao Leão de Ouro no Festival de Cinema de Veneza, onde comoveu os espectadores, que aplaudiram os diretores por quase 25 minutos após a estreia, a ovação mais longa já registrada. O filme conquistou o Prêmio Especial do Júri no referido festival.
Em 80 minutos, “NAZA” analisa a campanha de ataques sistemáticos de Israel no enclave palestino por meio do depoimento de 24 oficiais e soldados da Inteligência, que detalham estratégias de espionagem telefônica e sistemas de Inteligência Artificial para identificar alvos. Segundo denúncias dos diretores, esse mecanismo funciona como um sistema em grande escala que provoca deliberadamente a morte de centenas de vítimas civis colaterais em um único ataque.
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