Haim Zach/GPO/dpa - Arquivo
O gabinete de Netanyahu fala de um evento como parte da "diplomacia" e garante que eles estarão em território israelense.
MADRID, 26 set. (EUROPA PRESS) -
O exército israelense iniciou os procedimentos para a instalação de alto-falantes a fim de transmitir na Faixa de Gaza o discurso que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, fará nesta quinta-feira perante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em meio à intensificação da ofensiva militar lançada contra o território costeiro após os ataques de 7 de outubro de 2023.
O gabinete de Netanyahu defendeu a decisão, que descreveu como "parte dos esforços da diplomacia", e disse que "ordenou que elementos civis, em cooperação com as Forças de Defesa de Israel (IDF), colocassem alto-falantes na traseira de caminhões no lado israelense da fronteira de Gaza para que o discurso histórico de Netanyahu na Assembleia Geral da ONU possa ser ouvido na Faixa de Gaza".
"Netanyahu ordenou expressamente que essa atividade não coloque em risco os soldados da IDF", disse ele em um comunicado, em meio a uma onda de críticas à decisão nas últimas horas.
Fontes oficiais citadas pela emissora pública israelense, Kan, haviam indicado anteriormente que o Comando Sul já havia implementado esse plano, fato confirmado por fontes militares em declarações ao jornal 'Haaretz', que descreveu essa medida como "guerra psicológica". "Ninguém entende o benefício militar disso", criticou uma delas.
Da mesma forma, parentes dos sequestrados durante os ataques de 7 de outubro de 2023 que ainda estão detidos em Gaza criticaram a decisão. Lishay Miran-Lavi, esposa de Omri Miran, disse em sua conta na rede social X que "os soldados e reféns" deveriam ser informados de que "o povo de Israel está lutando por eles e quer um acordo com uma maioria absoluta que os traga de volta para casa e ponha fim à luta".
Nesse sentido, um grupo de manifestantes representando mães de soldados criticou Netanyahu. "Até quando ele vai usar nossos filhos para sua campanha pessoal?", perguntou o grupo Ima Era (Mother Wide Awake), que disse ao exército que "a responsabilidade pelas vidas das tropas está em suas mãos".
"O Times of Israel informou que o exército israelense ou as autoridades ainda não comentaram a decisão, que foi tomada com Netanyahu já em Nova York, antes de seu discurso na Assembleia Geral da ONU.
Nesse sentido, vários pais de soldados disseram que se trata de uma decisão "ilegal" que "exige atrito com a população e claramente coloca em risco nossos filhos em combate". "Nunca na história do Estado de Israel houve tanto descaso com a vida dos militares. A guerra em curso em Gaza deve terminar, pois não tem justificativa", disseram os pais em uma carta enviada ao exército e ao ministério da defesa.
A ofensiva israelense contra a Faixa de Gaza deixou, até o momento, mais de 65.500 palestinos mortos e cerca de 167.000 feridos, de acordo com as autoridades de Gaza, controladas pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), em meio a críticas internacionais às ações do exército israelense no enclave, especialmente sobre o bloqueio à entrega de ajuda humanitária.
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