Publicado 16/06/2026 11:31

AMP. – Israel anuncia a anulação dos Acordos de Hebron e retira competências das autoridades palestinas locais

A medida do ministro das Finanças de Israel gera críticas da Autoridade Palestina e do Hamas, que exigem uma ação internacional

Archivo - Arquivo - Imagem de arquivo de militares israelenses na Cisjordânia.
Ilia Yefimovich/dpa - Arquivo

MADRID, 16 jun. (EUROPA PRESS) -

O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, anunciou nesta terça-feira o cancelamento dos Acordos de Hebron, assinados em 1997 no âmbito dos Acordos de Oslo, o que implica retirar competências das autoridades palestinas nessa cidade da Cisjordânia, inclusive em matéria de planejamento e construção.

“Anulei os Acordos de Hebron”, afirmou Smotrich, um dos representantes da ala dura do governo de Benjamin Netanyahu, antes de ressaltar que “isso significa que muitas competências sobre Hebron e seus locais sagrados, incluindo o Túmulo dos Patriarcas, não estão mais nas mãos da prefeitura terrorista de Hebron”.

“Elas voltam a ser de total responsabilidade do Estado de Israel”, destacou ele em uma mensagem nas redes sociais, na qual ressaltou que “isso é muito mais do que uma medida no âmbito do planejamento”. “É uma emenda histórica”, afirmou, antes de defender a “revolução” de “regular os assentamentos, reforçar a governança e aprofundar a soberania israelense na Judéia e Samaria”, referindo-se à Cisjordânia pelo seu nome bíblico.

Assim, ele enfatizou que “os assentamentos na Judeia e Samaria constituem o cinturão de segurança do Estado de Israel” e acrescentou que “qualquer pessoa que olhe da região de Hebron para as planícies costeiras compreende bem que a Judeia e Samaria não são uma periferia distante”.

O anúncio de Smotrich foi imediatamente condenado pela Presidência palestina, que alertou para a “gravidade” da medida de Israel, que também afeta a mesquita de Abraão — conhecida pelos judeus como Túmulo dos Patriarcas —, parte da Cidade Velha de Hebron, reconhecida em 2017 como patrimônio palestino da humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

A Presidência palestina ressaltou que essa medida afeta o status político e jurídico de Hebron e os acordos bilaterais a esse respeito, antes de reiterar que tais medidas são “rejeitadas e condenadas” e constituem uma violação do Direito Internacional, conforme informou a agência de notícias palestina WAFA.

Por isso, exigiu que a comunidade internacional, e especialmente os Estados Unidos, intervenham “imediatamente” para que Israel recue, antes de salientar que essa medida “minam” um possível processo de negociações para concretizar a solução de dois Estados, apoiada internacionalmente, mas rejeitada pelo governo de Netanyahu.

Por sua vez, o Ministério das Relações Exteriores palestino denunciou a “escalada perigosa” de Israel, ressaltando que essa medida representa um “ataque” contra o “status legal, histórico e político” da cidade.

Dessa forma, “condena” a decisão do ministro das Finanças israelense e afirma que Israel “não tem soberania sobre nenhuma parte da cidade de Hebron nem sobre qualquer outra cidade palestina”, além de ressaltar os “direitos históricos e legais” que unem o povo palestino a Hebron.

Ao mesmo tempo, denuncia que, se essa medida não acarretar consequências, “incentivará” Israel a “persistir em seus crimes, exporá a região à instabilidade e ameaçará a segurança e a paz na região”.

O ACORDO DE HEBRON

O Acordo de Hebron, também conhecido como Protocolo de Hebron, foi assinado sob supervisão dos Estados Unidos em janeiro de 2017 por Israel — representado por Netanyahu, na época também primeiro-ministro — e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), liderada na época por Yasser Arafat.

O documento previa a retirada parcial das tropas israelenses de Hebron, em consonância com o acordado nos Acordos de Oslo, deixando cerca de 80% da cidade sob controle palestino, com o restante nas mãos de Israel, embora também nessa zona haja uma maioria da população palestina, com enclaves de colonos judeus.

Dessa forma, Israel manteve o controle de segurança na segunda zona, conhecida como H2 — incluindo o Túmulo dos Patriarcas —, embora as competências civis, inclusive sobre planejamento e construção nessa área, tenham ficado nas mãos das autoridades palestinas.

Nesse sentido, Smotrich destacou, durante um evento sobre a criação de um novo assentamento em Hebron, que “por muitos anos, uma das cláusulas mais absurdas dos Acordos de Oslo continuava em vigor, fazendo com que as autoridades responsáveis pelos assentamentos judeus de Hebron dependessem da prefeitura terrorista de Hebron”.

A medida, aprovada na última hora da segunda-feira pelo Conselho Superior de Planejamento — órgão que supervisiona a construção de assentamentos na Cisjordânia —, surge após uma decisão aprovada preliminarmente pelo gabinete de segurança em 8 de fevereiro, por iniciativa de Smotrich, conforme noticiado pelo jornal israelense “Yedioth Ahronoth”.

A cidade de Hebron é um dos epicentros do conflito, marcado nos últimos meses pela aceleração da construção de assentamentos e pela apreensão de terras por parte de Israel, em meio a um recrudescimento das incursões das forças de segurança e dos ataques por parte de colonos contra a população palestina.

De fato, o Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) alertou na sexta-feira que a violência por parte de colonos israelenses na Cisjordânia atingiu níveis históricos em 2026, com mais de mil ataques que causaram vítimas ou danos materiais no que vai do ano, afetando mais de 230 comunidades e deslocando mais de 2.000 palestinos.

Esse tipo de incidente voltou a aumentar desde 7 de outubro de 2023, data dos ataques contra Israel liderados pelo Hamas, embora já nos primeiros nove meses daquele ano tivessem sido registrados números recordes de palestinos mortos nesses territórios nas últimas duas décadas, desde a Segunda Intifada.

CONDENAÇÃO DO HAMÁS

Por sua vez, o Movimento de Resistência Islâmica (Hamás) alertou para o “perigo” das medidas anunciadas por Smotrich e destacou que elas “representam uma escalada sem precedentes no plano político e no terreno, com o objetivo de aprofundar a ocupação, impor seu controle e concretizar a apropriação de terras na Cisjordânia”.

“Essas medidas extremas por parte dos sionistas constituem uma tentativa desesperada de expandir o controle sobre a cidade de Hebron e seus arredores, no âmbito de um projeto colonial destinado a impor a soberania sionista sobre toda a Cisjordânia e a conferir uma suposta legitimidade aos assentamentos, bem como a acelerar as operações de anexação e deslocamento”, denunciou.

O grupo enfatizou que “todas essas medidas e tentativas não conseguirão alterar a realidade histórica e geográfica na província de Hebron, marcada por uma identidade e afiliação palestinas profundamente enraizadas”, ao mesmo tempo em que insistiu que “Hebron e todas as terras palestinas ocupadas resistirão aos projetos de judaização”.

“As decisões da ocupação não conferem qualquer legitimidade à presença de assentamentos coloniais”, argumentou o Hamas, que fez um apelo à população palestina para que “reforce seu apego à terra e aos princípios nacionais e intensifique todos os meios de confronto e ativismo em rejeição aos planos de anexação e colonização”.

Nessa linha, exortou os palestinos a “ativarem todas as formas de resistência para enfrentar essas políticas agressivas” por parte de Israel, ao mesmo tempo em que solicitou à comunidade internacional, incluindo as Nações Unidas, que “assumam suas responsabilidades legais e morais” e “adotem medidas urgentes para deter as políticas da ocupação fascista, que desprezam os direitos, as convenções e todas as normas e leis internacionais”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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