Europa Press/Contacto/Iranian Presidency
MADRID, 23 jun. (EUROPA PRESS) -
O presidente do Irã, Masud Pezeshkian, ressaltou nesta terça-feira que o sucesso das negociações com os Estados Unidos “depende do compromisso total com as obrigações acordadas” e de sua “aplicação correta”, após as negociações técnicas realizadas nos últimos dias na Suíça.
“A eficácia das negociações depende do compromisso total com as obrigações acordadas e de sua correta aplicação”, afirmou ele, antes de ressaltar que “o progresso nesse sentido será medido pelo cumprimento prático das responsabilidades assumidas”.
Nesse sentido, Pezeshkian enfatizou, em uma mensagem publicada nas redes sociais, que “as declarações que se afastem do texto acordado não contribuem para o avanço das negociações”.
O próprio líder iraniano destacou, em declarações concedidas antes de embarcar em um avião com destino ao Paquistão, que o objetivo da viagem, “além de ser uma demonstração de apreço pelo apoio do governo paquistanês”, é “dar continuidade ao processo para que todas as cláusulas do memorando de entendimento sejam aplicadas, no âmbito do Direito Internacional e dos direitos e liberdades do povo iraniano”.
“O que foi assinado deve ser aplicado integralmente”, reiterou Pezeshkian, que argumentou que a implementação do acordado “pode reduzir muitos dos problemas no Oriente Médio e, em uma situação em que continuam as guerras injustas e as agressões do regime sionista — em referência a Israel —, abrir caminho para reforçar a estabilidade e a segurança regional”, segundo informou a emissora de televisão pública iraniana, IRIB.
As declarações do presidente do Irã ocorreram logo após o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano e chefe da delegação de negociações técnicas do país, Kazem Qaribabadi, ter confirmado a conclusão dos contatos técnicos e revelado um acordo sobre o processo para futuras negociações com Washington.
Qaribabadi destacou que ambas as delegações decidiram criar “quatro grupos de trabalho”, focados em “fim das sanções”, “questões nucleares”, “reconstrução econômica e desenvolvimento” e “supervisão e aplicação”, conforme noticiado pela mídia iraniana.
Nesse sentido, ele afirmou ainda que foi acordado “um ponto de contato” sobre a passagem de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz, bem como “uma unidade de prevenção de conflitos” no Líbano, palco de uma ofensiva de Israel, aspeto no qual também participarão o Paquistão e o Catar, que estão atuando como mediadores.
Por sua vez, fontes citadas pela emissora de televisão dos Emirados Árabes Unidos Al Arabiya indicaram que o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, também se deslocará ao Paquistão, embora isso não tenha sido confirmado oficialmente. O chefe da diplomacia iraniana encontra-se neste momento em Omã, ao lado do presidente do Parlamento do Irã, Mohamed Baqer Qalibaf.
A viagem de Araqchi e Qalibaf a Omã tem como objetivo principal discutir um possível acordo para a gestão do tráfego no Estreito de Ormuz, um dos pontos centrais do conflito depois que Teerã limitou o tráfego em resposta à ofensiva lançada pelos Estados Unidos e por Israel em 28 de fevereiro contra o país asiático.
Nos últimos meses, as autoridades iranianas têm insistido que o estreito deve ser administrado por Teerã e Mascate, países litorâneos, e têm se empenhado em implementar um novo mecanismo, em meio a apelos internacionais por parte de Washington e de outros países para que a situação volte a ser a que existia antes do conflito, desencadeado em meio a negociações entre os Estados Unidos e o Irã para chegar a um novo acordo nuclear.
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