MADRID 28 jun. (EUROPA PRESS) -
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, alertou os Estados Unidos de que Teerã controla absolutamente tudo o que ocorrer no Estreito de Ormuz durante os próximos 30 dias de negociações, conforme sua interpretação do memorando de entendimento assinado com Washington neste mês, e acusou a parte norte-americana de descumprir a primeira cláusula do mesmo: pressionar Israel a se retirar completamente do Líbano.
Araqchi fez essas declarações logo ao chegar ao Iraque, onde passará o dia em visita oficial, em meio a novos confrontos com bombardeios envolvendo os Estados Unidos e após um acordo entre o Líbano e Israel que foi repudiado pelo partido-milícia libanês Hezbollah, aliado estratégico de Teerã, por considerar que o acordo contraria o documento assinado pelo Irã e pelos Estados Unidos.
“Infelizmente, a entidade sionista continua com seus ataques aéreos no Líbano. Os Estados Unidos devem assumir sua responsabilidade, obrigar Israel a pôr fim aos ataques e a se retirar das áreas que ocupa no Líbano, pois essa é a primeira cláusula do memorando”.
O primeiro ponto do documento não apenas exige a cessação dos bombardeios israelenses, mas também obriga as partes a encontrar uma solução para que Israel se retire do país. O acordo assinado na sexta-feira entre o Líbano e Israel, no entanto, menciona apenas uma “retirada gradual”, desde que seja verificado o hipotético desarmamento do Hezbollah — algo que o grupo armado não tem intenção de fazer, pois entende que se trata de uma manobra israelense para deixar o país indefeso.
Araqchi também alertou os Estados Unidos de que “o estreito de Ormuz permanecerá sob a supervisão e gestão total do Irã durante os próximos 30 dias e, uma vez eliminados todos os obstáculos, a capacidade total da via navegável será restabelecida”. A responsabilidade pelo estreito, acrescentou ele, recai sobre a República Islâmica do Irã.
“Não há nenhuma outra parte nem Estado envolvido. Isso fica totalmente claro no memorando de entendimento, e qualquer intervenção ou ação unilateral agravará a situação e atrasará a reabertura do estreito”, alertou.
COMISSÃO DE ACOMPANHAMENTO
Neste mesmo domingo, o negociador-chefe do Irã e presidente do Parlamento iraniano, Mohamed Baqer Qalifab, e seu homólogo libanês, Nabih Berri, mantiveram uma conversa por telefone na qual ambos concordaram com a importância de que a comissão de acompanhamento acordada pelos EUA e pelo Irã para garantir a cessação das hostilidades no Líbano comece a trabalhar imediatamente.
Qalifab e Berri “enfatizaram a necessidade de realizar uma reunião da ‘Unidade de Controle de Conflitos’ o mais rápido possível para controlar e pôr fim à guerra no Líbano”, segundo o relato da conversa divulgado pela radiotelevisão pública IRIB.
“Nosso objetivo é pôr fim à guerra no Líbano, levar os refugiados de volta aos seus lares e conseguir a retirada da ocupação e do regime sionista do território libanês, e estamos abordando essa questão com seriedade”, afirmou Qalibaf.
Por sua vez, o presidente do Parlamento libanês, próximo a Teerã, voltou a denunciar o recente acordo entre o governo libanês e Israel, que descreveu diretamente como um ato de capitulação de Beirute, ao considerar que ele ignora os termos estipulados no pré-acordo entre os EUA e o Irã e não se empenha em exigir claramente que Israel abandone o país.
“O acordo entre o Líbano e o regime sionista, de acordo com os termos ditados pelos Estados Unidos, é uma conspiração e um ato de sedição, e a sedição é pior do que o assassinato”, lamentou Berri.
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