Europa Press/Contacto/Ilya Ryzhov
MADRID 12 abr. (EUROPA PRESS) -
O Ministério das Relações Exteriores do Irã destacou o caráter estratégico da diplomacia no contexto das negociações que estão ocorrendo em Islamabad com a mediação do Paquistão, ao mesmo tempo em que insistiu em sua determinação de defender o que considera serem os direitos e interesses nacionais perante os Estados Unidos, poucos instantes antes de o vice-presidente norte-americano, JD Vance, anunciar que não há acordo com Teerã, colocando sobre a mesa uma “oferta final” antes de deixar a capital paquistanesa.
Em um comunicado, o Ministério iraniano afirmou que “a diplomacia, para nós, é a continuação da jihad sagrada dos defensores da terra do Irã”, em uma declaração na qual também assegurou que o país não esqueceu “as traições e as maldades dos Estados Unidos” nem “os crimes atrozes cometidos por eles e pelo regime sionista durante a segunda e a terceira guerras impostas”.
Teerã descreveu o dia de negociações em Islamabad como um dia “longo e intenso”, no qual as conversas, iniciadas neste sábado com a mediação paquistanesa, se prolongaram sem interrupção com a troca constante de mensagens entre as partes.
Segundo o comunicado, a delegação iraniana está empregando “toda a sua capacidade, experiência e conhecimento para salvaguardar os direitos e interesses do Irã”, em um contexto marcado também pelo impacto da perda de seus líderes e compatriotas, o que — afirma — reforçou sua determinação.
O Ministério também ressaltou que a República Islâmica não renunciará a nenhum instrumento diplomático para a defesa de seus interesses. “Nada pode nem deve nos deter na busca de nossa grande missão histórica em relação à nossa amada pátria e à nobre civilização iraniana”, afirmou, ao mesmo tempo em que defendeu a combinação de pressão política e negociação como parte de sua estratégia.
“EXIGÊNCIAS EXCESSIVAS E EXIGÊNCIAS ILEGAIS”
Quanto aos temas abordados, Teerã indicou que, nas últimas 24 horas, foram tratadas questões como o estreito de Ormuz, o programa nuclear iraniano, as reparações de guerra, o levantamento das sanções e o fim do conflito regional. No entanto, alertou que o sucesso do processo dependerá da atitude da outra parte.
“O sucesso deste processo diplomático depende da seriedade e da boa-fé da contraparte, da abstenção de exigências excessivas e demandas ilegais, e da aceitação dos direitos legítimos e interesses justos do Irã”, sublinhou o comunicado.
Por fim, o governo iraniano agradeceu a mediação e a hospitalidade do Paquistão, reconhecendo seus esforços para facilitar o andamento das negociações entre Teerã e Washington.
Este comunicado foi publicado apenas uma hora antes de JD Vance anunciar o encerramento das conversas em Islamabad sem acordo, ressaltando que Washington apresentou sua “oferta final” após um processo de contatos intensos e múltiplas reuniões entre ambas as delegações.
Vance assinalou que, apesar da duração das negociações, não houve avanços decisivos e defendeu que os Estados Unidos mantiveram posições claras durante todo o processo, especialmente no que diz respeito às suas linhas vermelhas sobre o programa nuclear iraniano.
Nesse sentido, ele insistiu na necessidade de um compromisso “firme” e “de longo prazo” por parte de Teerã para renunciar ao desenvolvimento de armas nucleares, algo que, segundo afirmou, ainda não ocorreu.
Diante disso, o vice-presidente defendeu que o governo americano considera ter agido com flexibilidade e boa-fé, embora tenha reconhecido que a delegação iraniana não aceitou as condições apresentadas por Washington.
Anteriormente, meios de comunicação iranianos, como as agências de notícias IRNA e Tasnim, indicavam que as partes previam retomar os contatos neste domingo para uma quarta rodada de diálogo, que teria lugar após um primeiro dia marcado pela intensidade das conversas e pelas diferenças persistentes.
Segundo informou a agência iraniana IRNA, fontes não oficiais indicam que o processo de negociação foi prolongado por mais um dia a proposta do Paquistão, uma iniciativa que teria sido aceita por ambas as delegações, embora essa informação não tenha sido confirmada por fontes oficiais das partes envolvidas.
As conversas entre os Estados Unidos e o Irã em Islamabad entraram na fase “técnica” após um encontro direto inédito entre altos representantes de ambos os países, com a incorporação de equipes especializadas para abordar aspectos econômicos, militares, jurídicos e nucleares.
As partes, que mantiveram várias rodadas de contatos e continuam trocando propostas, buscam um marco comum no que Teerã descreve como uma “última oportunidade” para o diálogo, em um contexto marcado pela tensão no Estreito de Ormuz, onde um incidente com um contratorpedeiro norte-americano resultou em movimentos militares de Washington, enquanto persistem as divergências sobre questões-chave como as sanções.
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