Exorta a agência nuclear da ONU a adotar uma postura "firme e contundente" e a condenar os ataques
Grossi confirma "impactos de ataques" na referida instalação e pede o fim dessas agressões "independentemente da natureza de (seus) objetivos"
MADRID, 6 (EUROPA PRESS)
As autoridades do Irã apresentaram um protesto “formal” ao diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, por sua inação diante dos repetidos ataques contra a usina nuclear de Bushehr, na costa sul do país.
O diretor da Organização para a Energia Atômica do Irã (OEAI), Mohamed Eslami, denunciou em uma carta dirigida a Grossi o ataque registrado no sábado contra o perímetro da usina, que causou a morte de um membro da equipe de segurança, danos a uma instalação vizinha e deixou vários outros feridos.
Eslami criticou, assim, o fato de Grossi ter se limitado a expressar sua “profunda preocupação” com o ataque à usina, sem condenar claramente tais atos, alertando que essa inércia por parte da AIEA poderia encorajar os “agressores” a realizar novos ataques contra a região, conforme noticiado pela agência de notícias Tasnim.
Nesse sentido, instou o diretor-geral da agência nuclear das Nações Unidas a adotar uma postura “firme e contundente” e a condenar os ataques contra as instalações nucleares, cumprindo assim suas responsabilidades estatutárias.
Este incidente registrado no sábado — o quarto ataque contra a usina — coloca em risco a integridade do reator e poderia acarretar uma potencial liberação de materiais radioativos para o exterior, o que acarreta consequências “graves” para a população, o meio ambiente e até mesmo os países vizinhos, argumentou na carta.
Nesta mesma segunda-feira, a AIEA confirmou nas redes sociais “impactos de ataques” contra a referida instalação, embora tenha assegurado que esta “não sofreu danos”, após analisar imagens captadas neste domingo.
“Com base em sua análise independente de novas imagens de satélite e em seu profundo conhecimento do local, a AIEA pode confirmar os recentes impactos de ataques militares perto da usina nuclear de Bushehr (BNPP) no Irã, incluindo um a apenas 75 metros do perímetro do local”, afirmou.
O diretor da agência alertou na mesma mensagem que “a atividade militar contínua perto da BNPP (...) poderia provocar um grave acidente radiológico com consequências prejudiciais para as pessoas e o meio ambiente” dentro e fora do Irã.
“Independentemente da natureza dos alvos visados, tais ataques representam um perigo muito real para a segurança nuclear e devem cessar”, acrescentou em uma nota que não menciona os Estados Unidos nem Israel.
Grossi expressou no sábado “profunda preocupação com o incidente” e disse que “as usinas nucleares ou as áreas adjacentes nunca devem ser atacadas”. “Reiterando o apelo à máxima moderação para evitar o risco de um acidente nuclear, ressalta novamente a importância primordial de aderir aos sete pilares para garantir a segurança nuclear durante um conflito”, sinalizou a AIEA nas redes sociais.
Por sua vez, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, descreveu a agressão contra a usina — onde trabalhavam pelo menos 200 cidadãos russos — como uma ação “ilegal e irresponsável” e como “uma mancha indelével na reputação internacional” dos agressores, uma vez que ignoraram que tanto Bushehr quanto outras instalações nucleares iranianas estão “sujeitas às garantias da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA)”.
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