Publicado 07/04/2026 22:17

O Irã anuncia duas semanas de "passagem segura" pelo Estreito de Ormuz, mas coordenada com suas Forças Armadas

Destaca-se que os EUA tenham aceitado como base de negociação seu decálogo de pontos, que prevê o levantamento das sanções

Archivo - Arquivo - Imagem de satélite captada pela NASA do Estreito de Ormuz
-/The Visible Earth/NASA/dpa - Arquivo

MADRID, 8 abr. (EUROPA PRESS) -

As autoridades iranianas anunciaram na madrugada desta quarta-feira que, durante duas semanas, será possível a passagem “segura” pelo estratégico estreito de Ormuz, embora “mediante coordenação” com as Forças Armadas do país asiático, minutos depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter prorrogado por esse mesmo período seu ultimato contra a República Islâmica.

“Durante um período de duas semanas, será possível a passagem segura pelo estreito de Ormuz mediante coordenação com as Forças Armadas do Irã e levando devidamente em conta as limitações técnicas”, anunciou o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, em um comunicado divulgado através de suas redes sociais, em nome do Conselho Supremo de Segurança Nacional do país.

No mesmo tom adotado pelo presidente norte-americano, Teerã apresentou sua decisão de que “se cessarem os ataques contra o Irã”, suas “poderosas Forças Armadas porão fim às suas operações defensivas” na região, como uma “resposta ao pedido fraterno do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif”, que solicitou a Trump a prorrogação por duas semanas de seu ultimato e a Teerã a reabertura do Estreito de Ormuz pelo mesmo período.

Além disso, Teerã justificou este anúncio alegando ter levado em consideração “o pedido dos Estados Unidos de iniciar negociações com base em sua proposta de 15 pontos”, bem como na sequência do anúncio do inquilino da Casa Branca sobre “a aceitação do quadro geral da proposta de 10 pontos do Irã como base para as negociações”, algo que Trump fez nesta madrugada no mesmo anúncio de sua nova moratória.

Segundos após a publicação do referido comunicado, a agência de notícias Fars divulgou outro documento, desta vez emitido pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional, que precisou que “a conclusão das negociações” ocorrerá em Islamabad, capital do Paquistão.

“À luz da vantagem do Irã no campo de batalha e da incapacidade do inimigo de cumprir suas ameaças, apesar de suas afirmações, e da aceitação oficial de todas as demandas legítimas do povo iraniano, foi decidido que a conclusão das negociações teria lugar em Islamabad", afirma o texto, que acrescenta que "num prazo máximo de 15 dias, a vitória do Irã ficará também consolidada nas negociações políticas".

Nesse sentido, cabe destacar que, na madrugada desta terça-feira, o Paquistão exortou Washington e Teerã a “prosseguir as negociações e chegar a um acordo definitivo” em sua capital na próxima sexta-feira, 10 de abril, demonstrando sua esperança de que essas “Conversas de Islamabad” alcancem “uma paz duradoura”.

O PLANO DE DEZ PONTOS ENVIADO PELO IRÃ

No referido manifesto do Irã, o Conselho Supremo de Segurança Nacional fez referência ao plano de dez pontos enviado aos Estados Unidos, por intermédio do Paquistão, no qual, segundo precisou, são contemplados aspectos “fundamentais” como a passagem “controlada” pelo estreito de Ormuz ou a “necessidade” de “pôr fim à guerra contra todos os componentes do eixo da resistência”, formado pelo Irã, pelo partido-milícia xiita libanês Hezbollah, pelas milícias xiitas iraquianas, por vários grupos armados palestinos e pelos rebeldes houthis do Iêmen.

Por sua vez, o referido decálogo de pontos coloca o foco na retirada das forças de combate americanas “de todas as bases e locais de destacamento da região”, o estabelecimento de um “protocolo de passagem segura” no estreito de Ormuz que “garanta o domínio iraniano de acordo com o protocolo acordado”, a indenização “integral” ao Irã de acordo com as avaliações ou o levantamento de “todas as sanções primárias e secundárias”.

A aprovação desses pontos, conforme reivindicado pela autoridade iraniana, deverá ocorrer por meio de uma “resolução vinculativa do Conselho de Segurança”. Tudo isso, argumentou, com o objetivo de transformá-los em uma “obrigação internacional”, após os Estados Unidos e Israel terem lançado sua ofensiva contra o Irã — onde mais de 2.000 pessoas perderam a vida, segundo os últimos números confirmados pelas autoridades iranianas — no último dia 28 de fevereiro, menos de 24 horas após a última rodada de negociações sobre o programa nuclear iraniano, que também foi o foco das conversas de junho de 2025, igualmente interrompidas por ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o país asiático.

Será sobre este plano de dez pontos, segundo Teerã, que serão realizadas as negociações em Islamabad com a parte americana “durante um período de duas semanas”. No entanto, o Conselho Supremo garantiu que “no momento em que o inimigo cometer o menor erro”, as autoridades iranianas responderão “com toda a força”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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