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MADRID, 10 ago. (EUROPA PRESS) -
O governo do Irã destacou nesta segunda-feira que o acordo em matéria de defesa, ratificado há alguns dias pela Arábia Saudita, pelo Paquistão e pela Turquia, é uma demonstração de que os países da região chegaram à conclusão de que não podem confiar sua segurança às “promessas” dos Estados Unidos.
O porta-voz iraniano do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, comemorou o fato de esses três países terem elaborado um acordo “alternativo” com base em suas próprias capacidades e experiências, “independentemente das intervenções destrutivas de terceiros”, segundo informa a agência de notícias ISNA.
Nesse sentido, ele explicou que essa percepção de segurança que os Estados Unidos pretendem fazer crer contribuiu exatamente para o contrário e ressaltou que qualquer plano deve ser abrangente e levar em conta as realidades históricas e geopolíticas da região, além de identificar “corretamente o inimigo”.
Da mesma forma, descartou que isso represente qualquer tipo de ameaça à segurança de seu país. “Temos laços religiosos, históricos e civilizacionais profundos com a Turquia, o Paquistão e a Arábia Saudita, e não há motivo para temer que esse acordo seja prejudicial ao Irã”, afirmou.
NEGOCIAÇÕES SOBRE O ESTREITO DE ORMUZ
Baqaei informou que as conversas com Omã a respeito do estreito de Ormuz continuam “de maneira muito fluida e construtiva” e incluem a intenção do Irã de cobrar um “pedágio” em troca de uma série de “serviços marítimos”.
“Serão criados mecanismos que, além de monitorarem o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, também levarão em consideração medidas ambientais, de cooperação para a prestação de serviços marítimos e de combate ao crime. ‘Quando se prestam serviços marítimos, deve-se receber pedágios em troca’”, afirmou.
Da mesma forma, ele reiterou mais uma vez que, enquanto persistir a “agressão norte-americana” e as condições propostas por Teerã não forem cumpridas, não será possível garantir que o Estreito de Ormuz seja uma rota marítima segura; por isso, instou Washington a mudar de rumo para que se possa discutir os próximos passos.
A disputa sobre os direitos de navegação nessa rota marítima estratégica é um dos principais pontos de atrito entre Washington e Teerã, já que se completou quase um mês desde o início dos bombardeios em solo iraniano.
Vale lembrar que, antes de os Estados Unidos e Israel declararem guerra ao Irã, o tráfego marítimo pelo estreito ocorria em grande parte sem incidentes, sem pedágios nem taxas de trânsito.
A RECUSA DE ISRAEL AO PLANO DE PAZ PARA GAZA
Por outro lado, Baqaei também se referiu à rejeição do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ao plano de paz para Gaza proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lembrando que, em Teerã, sempre se duvidou que o “regime sionista” tivesse um interesse real em pôr fim aos ataques.
“Cabe ao presidente dos Estados Unidos responder”, disse o porta-voz, que também ressaltou que Washington “deve prestar contas” pelo apoio que vem oferecendo ao “regime israelense” durante todo esse conflito.
“Já dissemos na época que o regime israelense não estava comprometido com nenhum tratado nem promessa e que não se devia confiar nele”, observou.
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