Publicado 18/05/2026 18:43

Indígenas, camponeses e sindicalistas cercam La Paz para exigir a renúncia do presidente Rodrigo Paz

Manifestação em La Paz para exigir a renúncia do presidente da Bolívia, Rodrigo Paz
MOVIMIENTOS SOCIALES DE BOLIVIA

Governo da Bolívia confirma quarta morte durante o bloqueio da capital

MADRID, 18 maio (EUROPA PRESS) -

Nesta segunda-feira, chegou a La Paz, vinda do altiplano boliviano, uma marcha de milhares de ativistas sociais, indígenas e sindicalistas no âmbito da greve geral contra o presidente boliviano, Rodrigo Paz, e suas políticas, na chamada “Marcha pela Vida para Salvar a Bolívia”.

Várias colunas entraram na capital boliviana após vários dias de marcha e se dirigiram à Praça Murillo, onde fica o Palácio do Governo, com a intenção declarada de forçar a renúncia do presidente Paz, apesar de a sede do poder estar blindada com o destacamento de efetivos militares e policiais.

A presença das marchas levou à intervenção das forças de segurança, que utilizaram agentes químicos na forma de gás para dispersar os manifestantes e, até o momento, foi relatado um ferido; no entanto, no total, desde o início das mobilizações, há 15 dias, o número de mortos seria de quatro, segundo o balanço oficial.

Após quase cinco horas de confrontos com gás lacrimogêneo, dinamite, fogos de artifício, paus e pedras utilizados por manifestantes e policiais, os ativistas se retiraram em direção a El Alto e o centro da cidade recuperou uma certa calma.

As principais ruas e avenidas ao redor da Praça Murillo ficaram com os vestígios da batalha campal, com pneus queimados e barricadas erguidas pelos manifestantes para enfrentar os policiais. O Ministério do Governo informou sobre o assalto e saque de várias instituições públicas, entre elas a sede da Derechos Reales.

As autoridades também emitiram mandado de prisão contra Mario Argollo, secretário executivo da Central Obrera Boliviana (COB), uma das principais organizações convocantes da mobilização e da greve que mantém La Paz e El Alto bloqueadas há duas semanas.

O procurador-geral do Estado, Róger Mariaca, confirmou a emissão do mandado de prisão contra Argollo, datado de 17 de maio, por incitação pública à prática de crimes, associação criminosa e terrorismo. A execução do mandado depende agora da Polícia “para colocar essa pessoa à disposição do Ministério Público”, destacou Mariaca.

A COB denunciou a “perseguição judicial” e instou à manutenção das mobilizações. “Não vão nos dobrar na luta que empreendemos. Estão tentando nos silenciar como liderança com ações populares e processos criminais”, afirmou o próprio Argollo em uma mensagem divulgada nas redes sociais.

Também foi emitida ordem de prisão contra Justino Apaza Callisaya, líder social da Federação de Juntas de Vizinhança de La Paz, acusado de seis crimes, tais como instigação pública à prática de delitos, associação criminosa, terrorismo, financiamento do terrorismo, atentados contra a segurança dos meios de transporte e atentado contra a segurança dos serviços públicos.

QUATRO MORTOS DESDE O INÍCIO DOS PROTESTOS

O vice-ministro do Regime Interno e da Polícia, Hernán Paredes, confirmou nesta segunda-feira a morte de uma pessoa que participava dos bloqueios que mantêm cercada a capital, La Paz, e a cidade vizinha de El Alto, a quarta vítima desde o início dos protestos, há 15 dias.

"Há um falecido, que é um bloqueador, um mallku (líder camponês) da zona dos Ponchos Rojos, que ao correr caiu em uma vala que eles mesmos fizeram (...). Ele caiu em um buraco, foi assim tão paradoxal, e lá sofreu um golpe fatal e morreu", explicou Paredes em declarações ao jornal 'El Deber'.

Anteriormente, o porta-voz presidencial José Luis Gálvez havia identificado o falecido como Alberto Cruz Chinche. “Queremos enfatizar que sua morte não foi causada pelo uso de arma letal ou asfixia por gases. Ele nem mesmo teve contato com nenhum membro das forças de segurança, nem policiais nem militares. Nos preocupa que seu lamentável falecimento seja falsamente atribuído à operação de abertura do corredor humanitário realizada” no sábado, declarou Gálvez.

O líder camponês é a quarta vítima fatal durante o bloqueio indefinido de estradas que circunda as cidades de El Alto e La Paz. A primeira morte registrada pelas autoridades é a de Anna Enss, uma cidadã estrangeira de 56 anos, natural de Belize, que faleceu devido a problemas de saúde e por não ter sido transportada a tempo para um hospital.

Em circunstâncias semelhantes, faleceu Nelly Villanueva. Em 14 de maio, foi informada a terceira vítima, uma jovem de 20 anos que faleceu em El Alto.

Gálvez, o porta-voz presidencial, denunciou que alguns manifestantes estão fazendo “uso de armas”. “Hoje chega a La Paz a marcha dos cocaleros e de Evo Morales. Esse é o fato noticioso mais importante do dia, mas queremos denunciar que, infelizmente, foram identificados grupos que passaram a usar armas e isso nos preocupa”, afirmou.

Assim, ele mostrou um vídeo das redes sociais em que se vê um grupo armado de pessoas com ponchos vermelhos no altiplano. Entre eles estaria, segundo Gálvez, Bernabé Gutiérrez Paucara, “ex-diretor de Direitos Humanos do Ministério da Defesa do governo anterior”.

Gálvez advertiu que aqueles que incitem a violência e “todos aqueles que possuírem ou estiverem portando qualquer arma ou dinamite” serão detidos pelas forças de segurança. Além disso, destacou que há um forte contingente policial e militar na Praça Murillo, onde fica o Palácio do Governo e, segundo revelou, também o próprio presidente Paz.

EX-CANDIDATO DETIDO COM EXPLOSIVOS

O vice-ministro Paredes informou também sobre a detenção, na noite de domingo, de um ex-candidato com “explosivos letais” em seu poder. “Ele carregava em sua mochila dinamites e pavios, ou seja, materiais que são letais para qualquer atividade humana”, afirmou.

Por enquanto, não foram divulgados mais detalhes sobre sua identidade. “Não podemos divulgar seu nome (nem) mostrar seu rosto ou sua identidade porque o Código Penal estabelece que deve ser respeitado o princípio da presunção (de inocência, embora) neste caso ele tenha sido flagrado em flagrante”, argumentou.

Paredes criticou que “enquanto o Exército e a Polícia evitam usar armas letais, há pessoas que estão nos bloqueios, nas marchas, de forma absolutamente criminosa e ilegal, usando armas letais”.

O vice-ministro afirmou, por outro lado, que estão circulando no meio dos protestos grandes somas de dinheiro provenientes de Chapare e que já estão investigando para determinar sua origem.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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