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MADRID 15 jun. (EUROPA PRESS) -
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, parabenizou “calorosamente” os Estados Unidos e o Irã pelo acordo provisório de paz alcançado neste domingo, ao mesmo tempo em que o considerou um “passo fundamental” para a resolução “pacífica” do conflito desencadeado no último dia 28 de fevereiro, na sequência da ofensiva conjunta lançada por Washington e Israel contra Teerã.
"Parabenizo calorosamente os Estados Unidos e o Irã por terem alcançado um acordo de paz que prevê um cessar-fogo imediato e permanente, a reabertura do Estreito de Ormuz, bem como um marco para futuras negociações”, afirmou Guterres em uma mensagem nas redes sociais, na qual assegurou que isso representa um “passo fundamental para a resolução pacífica do conflito”.
Nessa linha, ele instou as partes envolvidas a aproveitar “esse novo impulso” e a “redobrar seus esforços” com o objetivo de alcançar uma solução “definitiva” para as hostilidades, ao mesmo tempo em que reiterou a disposição das Nações Unidas de “apoiar” as partes para alcançar uma paz “duradoura” e “global”.
Em seguida, o secretário-geral transmitiu seu “mais sincero agradecimento” ao Paquistão, Catar, Egito, Arábia Saudita, Turquia e outros países da região, pelo “papel construtivo” que, segundo ele, desempenharam ao “apoiar as negociações” que conduziram ao acordo de paz.
“IMPACTO DEVASTADOR NOS DIREITOS HUMANOS EM TODA A REGIÃO”
Horas depois, o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, manifestou sua “satisfação” com o anúncio de um acordo preliminar para a cessação das hostilidades no Irã. “O conflito teve um impacto devastador nos direitos humanos em toda a região e no resto do mundo. Os últimos meses demonstraram que as profundas diferenças existentes na região não podem ser resolvidas por meios militares”, afirmou.
Dessa forma, Turk denunciou o uso da força contra o Irã por parte de Israel e dos Estados Unidos, que deixou “milhares de civis, incluindo centenas de crianças mortas” e destruiu hospitais, escolas, residências e outras infraestruturas.
“Reitero meu apelo para que sejam divulgados os resultados da investigação norte-americana sobre o terrível ataque contra a escola de Minab”, enfatizou ele, referindo-se ao bombardeio ocorrido nos primeiros momentos da ofensiva e que deixou dezenas de alunos mortos.
Da mesma forma, Turk classificou como “completamente inaceitáveis” os ataques de Teerã “contra infraestruturas civis nos países do Golfo e na Jordânia”, ao mesmo tempo em que criticou o bloqueio do Estreito de Ormuz.
“O bloqueio teve graves consequências para a economia mundial, para a entrega de ajuda humanitária e para as pessoas mais vulneráveis, incluindo cerca de 20 mil marítimos mercantes”, afirmou.
Em relação à população iraniana, lamentou que ela se encontre “presa entre a guerra e uma repressão cruel”. “Desde que as autoridades mataram milhares de pessoas durante a repressão brutal aos protestos em janeiro deste ano, intensificaram sua dura campanha repressiva, prendendo milhares de pessoas e impondo restrições ainda mais severas ao espaço cívico”, criticou, denunciando que pelo menos 40 pessoas foram executadas por motivos relacionados à segurança nacional.
O primeiro a anunciar o acordo entre os Estados Unidos e o Irã foi o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que se referiu a ele como um Acordo de Paz com o qual “as duas partes declararam o fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano”, explicou o líder paquistanês em uma mensagem publicada nas redes sociais.
A ratificação do acordo ocorrerá na próxima sexta-feira, 19 de junho, na Suíça, conforme antecipado por Sharif e confirmado por Teerã e pelos Estados Unidos. De fato, o vice-presidente norte-americano, JD Vance, considerou “possível” que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, compareça pessoalmente ao evento.
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