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Lembre-se de que uma instalação das Nações Unidas é “inviolável e imune” a “qualquer forma de interferência” MADRID 20 jan. (EUROPA PRESS) -
O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou “energicamente” nesta terça-feira as ações de Israel para demolir o complexo da Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA) no bairro de Sheij Yarrá, em Jerusalém Oriental.
“Como afirmou reiterada e inequivocamente, inclusive em uma carta ao primeiro-ministro de Israel (Benjamin Netanyahu) em 8 de janeiro, o complexo de Sheij Yarrá continua sendo uma instalação da ONU e é inviolável e imune a qualquer forma de interferência”, declarou seu porta-voz adjunto, Farhan Haq.
O chefe da ONU classificou como “totalmente inaceitável a contínua escalada” contra a UNRWA, que “contraria as obrigações claras de Israel nos termos do Direito Internacional, da Carta das Nações Unidas e da Convenção sobre Prerrogativas e Imunidades das Nações Unidas”.
Por fim, Guterres instou o “Governo de Israel a cessar a demolição do complexo da UNRWA em Sheij Yarrá e a devolver e restituir o complexo e outras instalações da UNRWA às Nações Unidas sem demora”, segundo um comunicado.
O diretor da UNRWA para a Cisjordânia e Jerusalém Oriental, Roland Friedrich, afirmou que “um dia sombrio para a ONU chega ao fim em Jerusalém Oriental”, depois que as forças de segurança israelenses armadas chegaram ao complexo, acompanhadas por vários altos funcionários, antes que várias escavadeiras entrassem à força no complexo e começassem a demolir os edifícios.
“As ações de hoje não têm precedentes: instalações reconhecidas pela ONU estão sendo demolidas, contrariamente às obrigações básicas que regem todos os Estados-membros das Nações Unidas. Essas cenas deploráveis (...) são o culminar da crescente hostilidade e dos ataques contra a UNRWA nos Territórios Palestinos Ocupados durante os últimos dois anos”, afirmou.
Por fim, enfatizou que as ações israelenses desta terça-feira “são uma demonstração evidente do desprezo de Israel pelo Direito Internacional, que permaneceu imperturbável por muito tempo”. “Elas também representam um golpe fatal ao multilateralismo, com um efeito dominó para a paz e a segurança em escala global”, concluiu.
ADALAH PEDE A SUSPENSÃO DA IMPLEMENTAÇÃO DA LEI ANTI-UNRWA A ONG árabe-israelense Adalah anunciou durante o dia que apresentou um pedido urgente ao Supremo Tribunal de Israel para suspender a implementação da “nova lei anti-UNRWA”, que ordena o corte do fornecimento de eletricidade e água às instalações da agência.
O pedido visa congelar a implementação de “uma lei de grande alcance, aprovada no final de dezembro de 2025, que já desencadeou esforços imediatos para cortar os serviços essenciais de eletricidade e água às instalações da UNRWA em Jerusalém Oriental”.
Israel acusou repetidamente a agência da ONU de apoiar o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e outros grupos palestinos, embora uma investigação independente liderada pela ex-ministra das Relações Exteriores francesa Catherine Colonna tenha concluído em abril de 2024 que, embora a organização tenha margem para melhorias em questões como neutralidade ou transparência, não havia provas para corroborar as acusações de Israel sobre ligações com o terrorismo.
Apesar disso, Israel manteve suas críticas e, de fato, as forças de segurança israelenses realizaram, em 8 de dezembro de 2025, uma operação na sede da UNRWA em Jerusalém Oriental, no âmbito de sua pressão sobre o organismo, que denunciou o “flagrante desrespeito” por parte de Israel ao Direito Internacional.
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