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A coalizão liderada pela Arábia Saudita eleva para 1.750 o número de detidos que serão libertados
A ONU destaca que este é o maior grupo de “detidos relacionados ao conflito” desde o início das hostilidades
MADRID, 14 maio (EUROPA PRESS) -
As autoridades do Iêmen reconhecidas internacionalmente e os rebeldes houthis chegaram a um acordo nesta quinta-feira para libertar mais de 1.600 detidos no contexto da guerra no país, conforme anunciado pela Organização das Nações Unidas, que destacou que este grupo é o maior a ser libertado desde o início das negociações decorrentes do conflito desencadeado em 2014.
O enviado especial da ONU para o Iêmen, Hans Grundberg, afirmou que o acordo foi alcançado “após quatorze semanas de negociações diretas” na capital da Jordânia, antes de declarar que “isso representa uma conquista significativa”, uma vez que “demonstra que, mesmo diante de uma profunda desconfiança e de um conflito prolongado, o diálogo ainda pode produzir resultados”.
Assim, ele destacou que o acordo “oferece esperança e alívio a milhares de famílias que esperaram por muito tempo, algumas por mais de uma década, pela libertação de seus familiares”. “Essas negociações foram extraordinariamente complexas. Exigiram persistência, flexibilidade e boa vontade de todas as partes”, afirmou.
“As partes negociaram durante o Ramadã, o Eid (al-Fitr) e um período de intenso conflito e incerteza na região. Parabenizo as partes por sua dedicação e determinação constantes para alcançar este resultado”, indicou Grundberg, que também expressou sua gratidão à Jordânia e ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), que, como em ocasiões anteriores, será responsável por colaborar no processo de libertações.
Nesse sentido, ele enfatizou que “estas negociações delicadas e prolongadas exigiram assistência política, operacional e financeira” por parte de “diversos parceiros internacionais”. “As negociações realizadas em Omã em dezembro de 2025 prepararam o caminho para o sucesso de hoje”, destacou, ao mesmo tempo em que lembrou que “inúmeros acordos também foram negociados em conversas anteriores realizadas na Suíça”.
“O próximo passo fundamental é a implementação. As partes acordaram um plano de implementação com o CICV para avançar na operação de libertação. Essa responsabilidade das partes não termina com esta rodada de libertações. Ainda há muito a ser feito”, reiterou o enviado da ONU, que pediu às partes que “aproveitem o que foi alcançado hoje e trabalhem em prol de libertações adicionais, inclusive por meio de iniciativas unilaterais, com base no princípio de ‘todos por todos’, conforme indicado no Acordo de Estocolmo”.
“O acordo de hoje trará em breve a alegria de reunir milhares de famílias. Também pode dar uma esperança renovada àqueles que continuam esperando que seus familiares sejam libertados”, destacou, antes de manifestar sua esperança de que este acordo “ajude a conseguir a libertação de funcionários da ONU e outros colegas que continuam detidos de forma arbitrária” pelos houthis. “Espero que o acordo de hoje gere confiança para avançarmos no que o povo iemenita mais precisa: uma paz sustentável”, concluiu.
Por sua vez, a chefe da delegação do CICR no Iêmen, Christine Cipolla, enfatizou que “as partes deram hoje mais um passo em direção à reunificação de familiares que esperam ansiosamente para rever seus entes queridos”. “Agora que já se chegou a um acordo sobre quais detidos serão libertados, transferidos e repatriados, o CICR está em condições de assumir seu papel de intermediário neutro na implementação dessas complexas operações humanitárias”, destacou.
Para tal, o organismo exigiu acesso total e sem obstáculos aos detidos incluídos no acordo, a fim de poder entrevistá-los e confirmar seu consentimento para uma transferência “em condições de segurança e dignidade para todos os participantes”. “Contamos com a colaboração máxima de todas as partes para que possamos dar início aos preparativos para implementar o acordo, no âmbito de um processo ordenado”, reforçou.
REAÇÃO DOS HUTIS E DA ARÁBIA SAUDITA
Após o anúncio do acordo, Abdulqder al Mortada, membro da delegação dos hutus, afirmou nas redes sociais que as negociações em Amã foram concluídas “com a assinatura das listas de nomes de prisioneiros e detidos” que serão libertados no âmbito deste acordo.
Assim, ele especificou que o pacto inclui a libertação de 1.100 houthis, bem como de 580 membros das forças iemenitas e seus aliados, incluindo “sete prisioneiros sauditas e 20 prisioneiros sudaneses”. “A implementação ocorrerá assim que os procedimentos com o CICR forem concluídos”, indicou.
O presidente do Conselho Político Supremo instituído pelos houthis no Iêmen, Mahdi al Mashat, saudou a assinatura do acordo em Amã e expressou a Al Mortada sua “gratidão” pelos esforços empreendidos pela delegação dos houthis. “Garantimos às famílias de nossos queridos prisioneiros que o sofrimento delas e o sofrimento de seus filhos estão no topo de nossas prioridades e que eles retornarão em breve, se Deus quiser”, afirmou.
Dessa forma, ele enfatizou que o Conselho Político Supremo não poupou esforços para conseguir a libertação de membros do grupo detidos no contexto do conflito, conforme informou a agência de notícias iemenita SABA, sem que as autoridades iemenitas reconhecidas internacionalmente tenham se pronunciado até o momento sobre o acordo.
Por sua vez, a coalizão liderada por Riade elevou para 1.750 o número de detidos a serem libertados, um número que inclui 27 membros das forças da coalizão, sete dos quais são sauditas.
Isso foi divulgado pelo porta-voz das forças da coalizão, Turki al Maliki, em um comunicado publicado em suas redes sociais, no qual ele defendeu que o acordado em Amã “é de natureza puramente humanitária e de extrema importância (...) até que todos os prisioneiros de guerra e detidos sejam libertados com segurança”.
Os houthis controlam a capital, Sanaa, e outras zonas do norte e do oeste do país após sua ofensiva em 2014, enquanto as autoridades reconhecidas internacionalmente — apoiadas por uma coalizão militar liderada pela Arábia Saudita — têm sua sede na cidade de Aden (sul).
O conflito, que mergulhou o país em uma grave crise humanitária, continua ativo, embora tenha diminuído de intensidade e tenha sido marcado nos últimos anos pelos ataques de Israel contra os houthis na sequência dos ataques de 7 de outubro de 2023 e pelos confrontos entre as tropas iemenitas e os separatistas do Conselho de Transição do Sul (CTS).
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