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MADRID, 24 jul. (EUROPA PRESS) -
Ao completar um mês dos terremotos que abalaram a Venezuela, o líder da oposição venezuelana Edmundo González alertou que a reconstrução também passa por uma nova concepção do Estado, um Estado que esteja “a serviço de seu povo”, ao contrário do que vem ocorrendo nas últimas semanas.
Assim, González denunciou que agora, após o primeiro mês, as pessoas afetadas pelos terremotos “precisam reconstruir suas vidas sem respostas suficientes, sem certezas e, com demasiada frequência, sem o apoio que deveriam receber do Estado”, conforme consta em uma carta publicada em suas redes sociais.
González destacou que todos puderam ver como “quase três décadas” de um “desmantelamento progressivo das instituições”, “a corrupção” e “a indiferença” vêm dificultando a recuperação, ressaltando que essa tragédia tornou todos esses problemas ainda mais evidentes.
“É claro que ninguém pode impedir que a terra trema, mas aqueles que exercem o poder têm, sim, a responsabilidade de agir quando a população precisa de maior proteção e, mais ainda, quando o país enfrenta uma das maiores catástrofes naturais de sua história”, enfatizou o opositor.
González destacou a resiliência que seus compatriotas demonstraram neste último mês, “sempre solidários”, assumindo tarefas que cabiam ao Estado, ressaltou. “Essa solidariedade honra o país, mas não pode mais continuar sendo usada para encobrir a ausência de instituições”, advertiu.
“A reconstrução da Venezuela não se resume apenas a erguer moradias, reconstruir hospitais, escolas e estradas. Exige também recuperar um Estado que proteja, responda e nunca mais vire as costas para seu povo”, observou González.
Assim, ele explicou que, embora “a força possa administrar o poder por um tempo”, só é possível alcançar “legitimidade” com o apoio do povo. “Quem não for capaz de compreender isso acabará se afastando também do país que diz representar”, advertiu o oposicionista, que reside na Espanha.
“A reconstrução da Venezuela começa com a recuperação de um Estado a serviço de seu povo. Esse é e continuará sendo meu compromisso”, concluiu.
Por sua vez, a oposicionista e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, divulgou um vídeo em suas redes sociais no qual ela se lamenta por não poder estar na Venezuela neste momento, embora, ao mesmo tempo, afirme estar lá, com cada uma das famílias afetadas, em um plano simbólico e espiritual.
“Não há um único instante em que eu não deseje, com toda a minha alma, poder abraçá-los, olhar nos olhos de vocês, acompanhá-los como este momento merece”, disse ela em um tom comovido que acompanha suas palavras em todo o vídeo, no qual se sucedem imagens da “maior tragédia” que a Venezuela já sofreu.
“Todos nós estamos enfrentando essa tragédia de uma maneira muito pessoal”, afirmou ela, após destacar que sua “vida chora” por aqueles que foram afetados de uma forma ou de outra. “É hora de nos apoiarmos, de cuidarmos uns dos outros (...) Temos uns aos outros. E essa é a força que nos mantém e sempre nos manterá”, concluiu.
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