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MADRID 21 jan. (EUROPA PRESS) - O Exército do Canadá apresentou um “modelo militar teórico” para responder a uma hipotética invasão dos Estados Unidos, à medida que aumentam as ameaças proferidas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, que voltou a instar Ottawa, nesta quarta-feira, a mostrar-se “grata” ao país vizinho.
As Forças Armadas indicaram em declarações ao jornal canadense “The Globe and Mail” que se trata de uma resposta teórica, que “oferece um quadro conceitual”, mas não um plano militar em si, pelo que descartaram, por enquanto, a realização de manobras militares.
Embora os especialistas considerem que as possibilidades de uma intervenção militar americana são muito baixas, as forças canadenses optaram por colocar em discussão qual seria a resposta militar mais viável, caso fosse necessário. Assim, pela primeira vez em décadas, foi levantada a possibilidade de uma invasão. Na semana passada, o Exército afirmou em um comunicado que o pessoal de infantaria está “treinado para operar em qualquer lugar do mundo e vencer”, palavras com as quais buscava reafirmar as capacidades de contenção e resposta das forças canadenses.
“Eles são a ponta de lança do Exército do Canadá, os responsáveis por derrotar o inimigo”, afirmou a própria entidade militar em um comunicado divulgado nas redes sociais, onde incluiu várias fotos dos militares realizando diferentes manobras de treinamento.
A chefe do Estado-Maior da Defesa do Canadá, Jennie Carignan, já havia anunciado há alguns meses que seu objetivo é criar uma nova força de reserva formada por mais de 400.000 voluntários para reforçar o Exército.
Na terça-feira, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, alertou que o mundo “está passando por uma ruptura e não por uma transição” em nível econômico e político, acusando as “grandes potências” de “usar a integração econômica como arma” e “as tarifas para obter vantagem”, palavras que não foram bem recebidas por Trump.
Além disso, o país está avaliando a ideia de enviar um contingente à Groenlândia, à medida que aumenta a tensão com o governo Trump, que busca adquirir a ilha e voltou a pedir a abertura de negociações sobre o assunto, alegando problemas de segurança nacional.
Nesta quarta-feira, Trump criticou durante seu discurso no Fórum Econômico Mundial — também conhecido como Fórum de Davos — as palavras do presidente canadense e enfatizou que “o Canadá vive graças aos Estados Unidos”. “Lembre-se disso antes de fazer esse tipo de comentário, Mark”, disse ele.
No entanto, ele garantiu que o sistema antimísseis do “Dome Dourado” que Trump almeja “também cobriria o Canadá” por questões geográficas. “O Canadá recebe muitas coisas de graça. Eles deveriam ser gratos, mas não são”, lamentou.
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