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MADRID, 29 ago. (EUROPA PRESS) -
O governo dos Estados Unidos anunciou que revogará os vistos de entrada de funcionários da Autoridade Palestina (o governo palestino na Cisjordânia), começando pelo presidente Mahmoud Abbas, e da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), antes da próxima Assembleia Geral da ONU, que começará em setembro, mas esclareceu que declarará uma isenção para os membros da missão permanente da Palestina nas Nações Unidas.
A França, o Reino Unido, o Canadá e a Austrália, entre outros, planejavam anunciar seu reconhecimento do Estado palestino nesse fórum, uma decisão criticada pelos Estados Unidos e por Israel como contraproducente para a paz e uma declaração de "capitulação" ao Hamas.
Assim como fez no final do mês passado, quando anunciou sanções contra altos funcionários de ambas as organizações, o Departamento de Estado argumentou que a revogação se deveu ao "não cumprimento de seus compromissos" e por "minar as perspectivas de paz" no conflito em curso na Faixa de Gaza entre Israel e as milícias palestinas.
Os EUA insistem que eles devem "repudiar consistentemente o terrorismo" e acabar com "a incitação ao terrorismo na educação, conforme exigido pela lei dos EUA e conforme prometido pela OLP".
Por sua vez, a Autoridade Palestina também deve encerrar suas tentativas de contornar as negociações "por meio de campanhas internacionais de guerra legal, incluindo apelos ao Tribunal Penal Internacional e ao Tribunal Internacional de Justiça, bem como seus esforços para obter o reconhecimento unilateral de um hipotético Estado palestino".
"Ambas as ações", disseram os EUA, "contribuíram materialmente para a recusa do Hamas em libertar seus reféns e para o colapso das negociações de cessar-fogo em Gaza", em uma versão que contradiz a posição do movimento islâmico palestino, que tem consistentemente apontado Israel como responsável pelo abandono das negociações.
No entanto, o Departamento de Estado confirma que a Missão da Autoridade Palestina na ONU receberá "uma isenção" e permanece "aberta a uma retomada do engajamento", desde que ambas as organizações tomem "medidas concretas para retornar a um caminho construtivo de engajamento e coexistência pacífica com o Estado de Israel".
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, reconheceu publicamente a decisão dos EUA em uma mensagem publicada em sua conta na rede social X endereçada ao chefe do Departamento de Estado, Marco Rubio.
"Obrigado ao secretário Rubio por responsabilizar a OLP e a Autoridade Palestina por recompensar o terrorismo, o incitamento e as tentativas de usar a guerra legal contra Israel. Agradecemos ao presidente Donald Trump por essa decisão corajosa e por apoiar Israel mais uma vez", escreveu o ministro israelense.
AUTORIDADE PALESTINA DIZ QUE ESTÁ CONSTERNADA COM A DECISÃO
Em sua primeira reação, o Ministério das Relações Exteriores da Autoridade Palestina disse que estava "profundamente consternado" com a decisão e confirmou que a delegação seria de fato liderada pelo Presidente Abbas.
"O Ministério considera isso uma violação flagrante do Acordo da Sede da ONU de 1947, que garante a liberdade de entrada de chefes de delegação e membros da ONU para participar de reuniões da ONU", disse o Ministério, pedindo ao Secretário-Geral da ONU, António Guterres, ao Conselho de Segurança da ONU e a todos os Estados membros da ONU que tomem medidas imediatas para impedir a implementação dessa resolução.
"O Ministério afirma que essa resolução não impedirá o reconhecimento do Estado da Palestina pelos países e o consenso internacional para acabar com os crimes de genocídio, deslocamento e anexação contra nosso povo", conclui.
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