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MADRID, 13 jun. (EUROPA PRESS) -
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado a morte de Héctor Guerrero Flores, conhecido como “Niño Guerrero”, líder máximo da poderosa organização criminosa venezuelana “Tren de Aragua”, durante uma operação militar conjunta entre o Comando Sul dos Estados Unidos e as Forças Armadas da Venezuela.
“Sob minhas ordens, o Comando Sul dos Estados Unidos realizou um ataque cinético rápido e letal para executar com sucesso Niño Guerrero, o infame líder do Tren de Aragua, uma das organizações terroristas mais sanguinárias do planeta”, esclareceu o inquilino da Casa Branca.
O Tren de Aragua é considerado atualmente a gangue criminosa mais poderosa da Venezuela, com ramificações em outros pontos da América Latina e repercussões até mesmo nos Estados Unidos. Em torno dela gira a operação antidrogas lançada por Washington nas águas do Caribe e questionada por seus violentos ataques contra supostas lanchas de traficantes, que já mataram 200 pessoas e representam, segundo ONGs, um possível crime de execução extrajudicial.
A eliminação de Guerrero Flores ocorre quase um ano depois de Washington ter classificado o grupo como Organização Terrorista Estrangeira em julho de 2025, momento em que também foi oferecida uma recompensa de mais de quatro milhões de euros por informações que levassem à sua captura.
"No início do meu mandato, cumpri minha promessa de designar o Tren de Aragua como Organização Terrorista Estrangeira, deportar milhares de criminosos perigosos e declarar guerra aos cartéis, que há muito tempo travam uma guerra contra nossos cidadãos, enquanto líderes fracos deixavam os Estados Unidos indefesos e na defensiva”, declarou.
Dessa forma, e embora o presidente não tenha querido dar mais detalhes táticos sobre a operação, ele enfatizou que a ação “vingou” as vítimas da gangue e agradeceu a coordenação com as autoridades de Caracas, garantindo que ambos os governos estão “colaborando muito bem”.
Além disso, ele lançou uma crítica ao ex-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, a quem acusou de “abrir a fronteira sul” do país “a milhões de criminosos ilegais”, permitindo que o “Tren de Aragua” “violasse, mutilasse e assassinasse cidadãos americanos com total impunidade”.
Pouco depois do comunicado de Trump, o Ministério da Informação venezuelano confirmou essa “operação conjunta entre órgãos de segurança da Venezuela e dos Estados Unidos no sudeste do estado de Bolívar”.
“Durante o desenrolar da operação, ocorreram confrontos com membros dessas estruturas criminosas, nos quais Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como ‘Niño Guerrero’, foi neutralizado”, acrescenta.
A operação contou com “apoio tecnológico especializado e foi realizada por meio de mecanismos de cooperação e troca de informações de inteligência entre as autoridades de ambos os países”, segundo o Ministério, ao término de uma operação que matou um dos principais alvos da guerra contra o narcotráfico do governo Trump.
O governo anterior, liderado por Biden, já havia classificado esse grupo como uma organização criminosa transnacional, mas o atual governo, sob o comando de Trump, intensificou a pressão ao atribuir-lhe o rótulo de terrorista.
As origens da organização remontam a duas décadas atrás, coincidindo com a construção do trecho da Ferrovia da Venezuela que atravessava os estados de Aragua e Carabobo. A atividade extorsiva de alguns sindicalistas que participavam das obras resultou em abusos em escala mais ampla e em uma rede criminosa que já tinha identidade própria quando as obras ferroviárias foram concluídas em 2011, conforme consta nos relatórios da Polícia Nacional.
IDENTIFICADO E ELIMINADO
Héctor Rustherford Guerrero Flores começou a comandar as atividades do grupo a partir do Centro Penitenciário de Aragua, em Torocón, uma espécie de cidade sem lei de onde não teve nenhum impedimento para continuar controlando as atividades do grupo.
O Tren de Aragua começou a se expandir para outras regiões da Venezuela graças a alianças com grupos menores e também ampliou sua lista negra de crimes, na qual já constavam casos de extorsão, sequestro, tráfico de pessoas, tráfico de migrantes, contrabando, mineração ilegal, roubo e tráfico de drogas, inicialmente no varejo.
O líder da gangue, detido desde 2013, fugiu da prisão de Torocón em setembro de 2023, antes que as autoridades lançassem uma operação para retomar o controle do centro. Até agora, ele permanecia foragido e o governo dos Estados Unidos oferecia uma recompensa de até 5 milhões de dólares (4,3 milhões de euros) por informações que levassem à sua prisão ou condenação.
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