Valery Sharifulin/TASS via ZUMA / DPA - Arquivo
MADRI, 14 jul. (EUROPA PRESS) -
As autoridades dos Emirados Árabes Unidos (EAU) acusaram nesta segunda-feira o Irã de atacar com mísseis de cruzeiro dois petroleiros dos Emirados no Estreito de Ormuz, o que resultou em pelo menos um morto e oito feridos, quatro deles em estado grave.
“Os petroleiros nacionais ‘Mombasa’ e ‘Al Bahia’ foram alvo de dois mísseis de cruzeiro iranianos no trecho sul do Estreito de Ormuz, dentro das águas territoriais de Omã”, informou o Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos em uma mensagem publicada nas redes sociais.
Devido a esse ataque, acrescentou o Ministério da Defesa, um tripulante do “Mombasa”, de nacionalidade indiana, perdeu a vida, e oito pessoas ficaram feridas, quatro delas em estado grave. Desse total de feridos, seis também são da Índia e dois da Ucrânia.
Por outro lado, ambos os navios sofreram danos materiais em consequência dos incêndios que se alastraram a bordo, após o impacto dos referidos mísseis atribuídos à República Islâmica. No entanto, precisou a autoridade dos Emirados, ambos os incêndios foram controlados.
Em seguida, o órgão ministerial condenou esse “ataque descarado” que, segundo ressaltou, constitui uma “grave violação e uma clara infração do Direito Internacional que ameaça a segurança e a estabilidade da região”. Tudo isso com ênfase no fato de que se reserva o direito de “responder a essa escalada” e de “adotar as medidas necessárias” para proteger seu território, seu povo e seus residentes, de modo a garantir a preservação de sua soberania, segurança e estabilidade, bem como a proteção de seus interesses e capacidades nacionais.
Por fim, o Ministério declarou estar em estado de “máximo alerta” e “plenamente preparado” para enfrentar qualquer ameaça, ao mesmo tempo em que afirmou estar adotando “todas as medidas necessárias para combater com firmeza qualquer tentativa de minar a segurança e a estabilidade do Estado”.
Por sua vez, o Ministério das Relações Exteriores dos Emirados publicou um comunicado lembrando que “atacar a navegação mercante e utilizar o Estreito de Ormuz como instrumento de coação econômica ou chantagem” constitui, em sua opinião, “um ato de pirataria” e uma “ameaça direta à estabilidade da região, de seus povos e à segurança energética mundial”.
Por fim, o Ministério das Relações Exteriores defendeu a necessidade de o Irã “por fim a esses ataques não provocados, garantir seu total compromisso com a cessação imediata de todas as hostilidades e a reabertura total e incondicional do Estreito de Ormuz”, com o objetivo de “salvaguardar a segurança regional e manter a estabilidade da economia e do comércio mundiais”.
DUAS EMBARCAÇÕES “INFRATORAS”, SEGUNDO TEERÃ
Horas depois, a Guarda Revolucionária do Irã divulgou um comunicado pela agência de notícias Tasnim, ligada ao braço militar, no qual afirmou que dois superpetroleiros, “enganados de forma fraudulenta”, foram “atacados” e “inutilizados”.
“Há algumas horas, o Exército dos Estados Unidos (...) tentou induzir alguns dos navios a atravessarem a rota ilegal. Dois superpetroleiros infratores, que foram enganados pelos Estados Unidos e colocaram em risco a navegação nessa rota ao desligarem seus sistemas de navegação e ignorarem as repetidas advertências do Centro de Controle de Segurança do Estreito de Ormuz, optando por atravessar a rota minada, foram alvejadas e inutilizadas”, afirmou a Guarda Islâmica.
Por sua vez, a Marinha da Guarda Revolucionária alertou que “a cooperação com o inimigo agressor” que, segundo ela, chegou à região “para violar os direitos dos povos da região e atravessar uma rota minada”, algo que, segundo ela, “não trará nada além de arrependimento, danos e atrasos na reabertura do Estreito de Ormuz, além de provocar uma crise energética mundial”.
UM “INCIDENTE” EM FRENTE ÀS COSTAS DE OMÃ
Minutos antes da denúncia divulgada pelos Emirados Árabes Unidos, a agência de comércio marítimo da Marinha britânica (UKMTO, na sigla em inglês) informou sobre um “incidente” ocorrido a 40 milhas náuticas (cerca de 74 quilômetros) a nordeste da cidade de Qalhat, em Omã.
“O capitão de um navio informou que foi atingido por um projétil desconhecido na sala de máquinas, do lado de estibordo. Toda a tripulação está a salvo e localizada, sem que tenha sido relatado qualquer impacto ambiental”, diz o comunicado da agência britânica.
Atualmente, precisou a agência, as autoridades continuam investigando o ocorrido, ao mesmo tempo em que recomendam que os navios naveguem com cautela e comuniquem qualquer atividade suspeita ao órgão.
Esses ataques ocorrem em meio a um recrudescimento das tensões e dos ataques recíprocos, especialmente nos últimos três dias, entre os Estados Unidos e o Irã, sendo hoje o terceiro dia em que o chefe da Casa Branca, Donald Trump, ordena o lançamento de uma nova série de ataques contra o território iraniano.
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