Gustavo Valiente - Europa Press
MADRID 2 mar. (EUROPA PRESS) -
O embaixador do Irã na Espanha, Reza Zabib, advertiu nesta segunda-feira que qualquer local usado na “agressão” contra o Irã será considerado um “alvo legítimo”, em uma mensagem que, sem se concentrar especificamente na base naval de Rota e na base aérea de Morón, também se estende às instalações americanas na Espanha.
Em coletiva de imprensa na legação diplomática em Madri, após a ofensiva conjunta dos Estados Unidos e Israel que deixou mais de 500 mortos no país asiático, entre eles o líder supremo, o aiatolá Alí Jamenei, e vários ministros e altos funcionários do Exército iraniano, Zabib indicou que o aviso não é específico para a Espanha, mas insistiu que uma “agressão ilegal e não provocada” é proibida pela Carta das Nações Unidas, pelo que todos os atores são chamados a agir com moderação. “A regra geral é que responderemos a qualquer agressão, não importa de onde venha. Perante qualquer ação, vamos reagir”, indicou o embaixador, salientando que, perante o ataque norte-americano de junho passado contra instalações nucleares, Teerã optou pela “máxima moderação” com o objetivo de manter a estabilidade na região e, no entanto, perante esta nova ofensiva, o Irã “vai reagir” e defender a sua “nação e soberania”.
Sobre os ataques contra o solo europeu, Zabib sugeriu que o Irã insistiu que é um país “capaz de reagir”, embora tenha indicado que espera que “não haja necessidade de tal reação”. “Qualquer local que seja instrumental e possa ser usado na agressão, nesta agressão ilegal, pode ser um alvo legítimo", explicou ele, referindo-se ao ataque de um drone contra uma das bases militares que o Reino Unido possui em Chipre, assunto que levou o ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, a convocá-lo ao Ministério para transmitir a "condenação" do governo aos ataques "injustificados" contra Nicósia e países da região do Oriente Médio.
Desde sábado, a Espanha negou em várias ocasiões que Washington tenha usado as bases de Morón e Rota para lançar o ataque militar surpresa contra o Irã. “Quero ser muito claro e muito enfático: as bases não são e não serão utilizadas para nada que não esteja dentro do acordo e para nada que não se enquadre na Carta das Nações Unidas”, afirmou o ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, em declarações nesta segunda-feira em entrevista à Telecinco. AGRADECE A POSIÇÃO DA ESPANHA
Em uma mensagem nas redes sociais, a Embaixada do Irã indicou que “reconhece plenamente e respeita” a posição da Espanha de que os Estados Unidos não utilizem suas bases em território espanhol para lançar ofensivas militares contra o país centro-asiático. “Esta posição está em consonância com o Direito Internacional”, avaliou a legação.
No âmbito da coletiva de imprensa, Zabib avaliou a resposta da Espanha à situação, depois que o presidente do governo, Pedro Sánchez, criticou a ação dos Estados Unidos e apontou que é possível ser contra um “regime odioso como o iraniano e, ao mesmo tempo, ser contra uma intervenção militar”.
“Eles rejeitaram a agressão e isso é valioso para nós”, disse ele sobre a posição do Executivo de Sánchez, sem querer entrar em mais questões e sublinhando que, neste momento, é preciso defender o Direito Internacional.
Ao longo de sua intervenção, o diplomata iraniano insistiu que a operação dos Estados Unidos e de Israel é uma “agressão ilegal e não provocada” que vai diretamente contra os princípios da Carta das Nações Unidas e diante da qual a comunidade internacional deve mostrar “moderação” e não contribuir para a escalada.
Zabib considera que a comunidade internacional está diante de um “ponto de inflexão” e, por isso, alertou que deve defender a paz e o Direito Internacional diante de uma operação que leva à “lei da selva”. “Espero que a comunidade internacional preste atenção ao fato de que este é um ponto de inflexão: o direito internacional, a paz e qualquer valor humano reconhecido estão em liberdade, além de todos enfrentarem a lei da selva”, explicou, apontando que primeiro foi Gaza, depois o Líbano e agora o Irã, mas a violência “não vai parar por aqui”.
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