Mateo Lanzuela - Europa Press
Exige uma negociação “justa” e que os EUA “não traíam pelo terceiro vez” o diálogo
“Ninguém pode ficar do lado de quem destrói a ordem internacional”, afirma
MADRID, 28 abr. (EUROPA PRESS) -
O embaixador do Irã na Espanha, Reza Zabib, enfatizou nesta terça-feira que a maior potência militar do mundo, em alusão aos Estados Unidos, não foi capaz de “mudar a vontade” do povo iraniano, durante um encontro realizado em Madri, em meio aos esforços para retomar as negociações com o governo Trump após a ofensiva lançada em conjunto com Israel contra o país asiático em 28 de fevereiro.
Ele fez essa afirmação durante um evento organizado pelo Clube Siglo XXI na capital espanhola, no qual defendeu que as autoridades iranianas “demonstraram que o poder militar não garante nenhuma vitória sobre a vontade dos povos”.
“Nenhuma mudança ocorreu no país que está sendo vítima da agressão, neste caso, meu país”, declarou, antes de enfatizar que não foi Teerã quem iniciou o conflito em curso, que descreveu como um “ponto de inflexão” tanto no Oriente Médio quanto na ordem mundial.
Nessa linha, o embaixador considerou que qualquer análise sobre a guerra desencadeada contra seu país deve partir dessa perspectiva, reiterando que “todas as estruturas, valores, instituições (e) normas que foram instauradas após a Segunda Guerra Mundial e que afastaram a comunidade internacional” do conflito foram substituídas pela “lei da força”.
Assim, lamentou que a guerra atual tenha demonstrado que esses “valores” não podem “garantir a estabilidade internacional”, alegando o “duplo padrão aplicado” aos países no que diz respeito ao Direito Internacional, ao Direito Internacional Humanitário ou aos Direitos Humanos.
O representante iraniano reiterou as três condições “indispensáveis” para que as autoridades iranianas aceitem um acordo com o governo Trump que ponha fim ao conflito desencadeado no Oriente Médio: “pôr fim à agressão”, iniciar uma “negociação justa (e) lógica que respeite os direitos do povo iraniano” e, em terceiro lugar, insistiu para que os Estados Unidos “não traíssem pela terceira vez a diplomacia”.
Nesse sentido, ele lembrou que Teerã e Washington estavam no meio de negociações sobre questões nucleares quando o Exército israelense atacou território iraniano em junho de 2025, ao qual se juntaram as Forças Armadas dos Estados Unidos e no qual morreram centenas de pessoas no país asiático.
Questionado precisamente sobre a exclusão da questão nuclear nas conversas atuais, o diplomata iraniano assegurou que a República Islâmica não tem objeções em abordá-la, embora tenha defendido que, quando há uma guerra em curso, pôr-lhe fim “é o mais importante”.
O embaixador, que lamentou “falar sobre a guerra e não sobre a paz”, defendeu que seu país demonstrou que pode governar “mesmo” em circunstâncias difíceis, citando como exemplo o assassinato do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, nos ataques de 28 de fevereiro em Teerã.
Questionado sobre as declarações de representantes norte-americanos, incluindo o próprio chefe da Casa Branca, sobre uma suposta divisão na cúpula política iraniana, Zabib defendeu que em todos os governos podem ocorrer divergências, para em seguida afirmar que onde realmente há divisão interna é nos Estados Unidos.
Por outro lado, ele enfatizou que “a segurança e o bem-estar do mundo são indivisíveis”, algo que “todos” os países, em particular os do Golfo Pérsico, puderam constatar por ocasião da ofensiva lançada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã.
“Se os demais (países), com suas ações e até mesmo com seu silêncio, colocarem em risco a segurança dos demais, essa falta (de segurança) se voltará contra eles”, observou ele, aludindo às consequências do conflito que outros Estados enfrentam.
Sobre seus vizinhos do Oriente Médio, Zabib quis enfatizar que os países do Golfo “não só não trouxeram segurança, como (eles próprios) provocaram uma guerra” ao facilitar o uso de bases militares dos Estados Unidos em seu território para atacar o Irã. “Eles nem conseguiram se defender”, afirmou, ao apontar que, embora “tenham sido bons parceiros comerciais e até mesmo políticos dos Estados Unidos”, não são o centro de interesse de Washington na região. “Todos sabemos quem é esse”, disse ele, em clara alusão a Israel.
Ao completar dois meses do início da ofensiva e após “três semanas de incerteza”, o governo dos Estados Unidos tem duas opções: retomar a guerra, o que “não vai mudar nada”, ou então, encerrá-la e negociar uma saída “justa e lógica” para Teerã. De qualquer forma, “se o nível da agressão militar aumentar, o Irã também o fará”, garantiu.
O embaixador instou Washington a retomar as conversações, já que “o passar do tempo não joga a (seu) favor”. “Tanto uma saída humilhante quanto uma guerra de desgaste o prejudicam; ele não tem mais do que essas duas opções”, observou, antes de reiterar que as autoridades do Irã “sempre priorizam a diplomacia”. “Se houver a mínima oportunidade de pôr fim a isso, é preciso aproveitá-la”, defendeu.
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