Europa Press/Contacto/Sadak Souici - Arquivo
MADRID 24 fev. (EUROPA PRESS) - A presidente e diretora do Museu do Louvre de Paris, Laurence des Cars, renunciou ao cargo nesta terça-feira, quatro meses após a polêmica gerada pelo roubo de joias da era napoleônica nas instalações do museu, uma renúncia que foi aceita pelo presidente da França, Emmanuel Macron, segundo informou o Palácio do Eliseu.
Des Cars apresentou sua renúncia em uma carta a Macron, que aceitou a decisão e “elogiou o ato de responsabilidade” da agora ex-diretora. A renúncia ocorre em “um momento em que o maior museu do mundo precisa de tranquilidade e um novo impulso para realizar importantes projetos de segurança e modernização”, indicou um comunicado do Eliseu.
O presidente também reivindicou a importância do projeto Novo Renascimento, anunciado pelo próprio Macron em 2025 e que prevê uma ambiciosa remodelação das instalações do Louvre em 2031 para incluir, entre outras novidades, uma sala específica para a Mona Lisa de Leonardo Da Vinci, que terá um “custo adicional”.
O mandatário francês agradeceu a Des Cars por seu trabalho e compromisso nos últimos anos, destacando que sempre se baseou em “sua indiscutível experiência científica”. Macron anunciou que lhe confiará uma missão no âmbito da presidência francesa do G7 sobre a cooperação entre os grandes museus dos países do bloco. POLÊMICA APÓS O ROUBO EM PLENA LUZ DO DIA
Des Cars esteve no centro da polêmica após o importante roubo de joias em plena luz do dia na pinacoteca da capital parisiense, incidente após o qual apresentou sua demissão, que na época foi rejeitada pelo governo francês. Sua situação passou a fazer parte do debate político, uma vez que a ministra da Cultura, Rachida Dati, se recusou a aceitar a demissão em outubro, quando preparava sua campanha para a prefeitura de Paris.
Após o roubo, no qual foram levadas oito peças de joalheria que, segundo estimativas do museu, estão avaliadas em 88 milhões de euros, De Cars admitiu sua “comoção” e “imensa dor” pelo incidente e apontou o “terrível fracasso” que isso representava para sua gestão à frente do Louvre, insistindo que assumia sua parte de responsabilidade.
Além dessa crise, a diretora do Louvre se encontrava em uma situação “explosiva” nos últimos meses devido a contínuos confrontos com os sindicatos, segundo o jornal Le Monde, que destaca que De Cars era apontada por sua “hiperpresidência fechada em torno de um gabinete reduzido, com um modo de governança considerado clânico e opaco”. “Não suportamos mais essa forma de decidir permanentemente sem ouvir”, disse ao jornal Valérie Baud, representante do sindicato CFDT no Louvre. Ela também foi criticada por não renovar o contrato de Sophie Jugie, diretora do departamento de esculturas que estava no cargo há doze anos e era amplamente respeitada no museu.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático