MADRI, 30 ago. (EUROPA PRESS) -
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou neste domingo que o acordo petrolífero assinado com os Estados Unidos terá uma vigência total de “25 anos” e que Caracas “manterá a soberania sobre seus recursos” naturais, estimando lucros que girariam em torno de 200 bilhões de euros.
Conforme explicou a mandatária em um discurso oficial transmitido pela emissora estatal VTV, o acordo entre os dois países — pelo qual os Estados Unidos adquirem o “controle majoritário” de um quinto das reservas de petróleo de Caracas — foi assinado por um período total de “25 anos” e prevê “o desenvolvimento de 17 campos estratégicos” com uma meta de produção “superior a 1,5 milhão de barris por dia”.
Além disso, Rodríguez garantiu que o pacto firmado com a Casa Branca injetará um total de quase 210 bilhões de dólares (cerca de 193 bilhões de euros) nos cofres do Estado venezuelano, segundo estimativas da própria presidente interina, que tomou como referência um preço de 65 dólares (cerca de 56 euros) por barril.
“Tudo isso permitirá impulsionar a recuperação do país e avançar nas melhorias que todos os venezuelanos desejamos, precisamos e merecemos. Por isso, escolhemos o caminho da diplomacia com os Estados Unidos da América, para transformar nossas divergências em cooperação”, destacou ela.
A PRESIDENTE INTERINA GARANTE QUE A VENEZUELA MANTERÁ A SOBERANIA E A PROPRIEDADE SOBRE SEUS RECURSOS
Dessa forma, a presidente interina procurou tranquilizar os cidadãos venezuelanos, garantindo que “o que deve ficar realmente claro” é que seu país “mantém a propriedade e a soberania sobre seus recursos” — em referência às críticas que definiam o pacto como um controle absoluto de Washington sobre os assuntos nacionais —, enquanto o pacto oferece a retomada da capacidade operacional de uma indústria “duramente atingida pelas sanções”.
“Nosso país possui as maiores reservas de petróleo do mundo, mas ter recursos no subsolo não é suficiente”, afirmou ela.
“Precisamos de investimento, tecnologia, infraestrutura e capacidade produtiva para transformar essa riqueza em bem-estar para nosso povo. De nada adianta ter nossas reservas de petróleo no subsolo apenas para que apareçam em uma estatística ou em um balanço contábil e possamos dizer que somos o país com a maior reserva do mundo, quando não conseguimos transformá-la e traduzi-la em desenvolvimento para a Venezuela”, admitiu.
Em meio à controvérsia gerada pelo acordo, Rodríguez concluiu sua intervenção garantindo que o objetivo final é “uma Venezuela que renasce para melhorar”.
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