Europa Press/Contacto/Carlos Garcia Granthon
MADRID 10 out. (EUROPA PRESS) -
O Congresso peruano aprovou no final da quinta-feira a destituição da presidente do Peru, Dina Boluarte, por ampla maioria e com base em uma "incapacidade moral permanente" para lidar com a insegurança no país.
Com 123 votos a favor de um total de 130 assentos na câmara, de acordo com o jornal 'La República', os deputados peruanos puseram fim ao governo de Boluarte menos de três anos após o início de seu mandato e diante de uma crise de insegurança cujo último episódio foi um tiroteio durante um show no sul de Lima.
"Recebi a faixa presidencial do Congresso, o mesmo Congresso que hoje votou pela vaga presidencial", disse Boluarte em uma mensagem após sua saída do poder. "Não pensei em mim, mas nos mais de 34 milhões de peruanos que merecem um crescimento de estabilidade democrática que funcione sem corrupção", afirmou.
O processo parlamentar para sua destituição ocorreu após a aprovação por ampla maioria de até quatro moções, após as quais a presidente foi convocada a comparecer e defender sua presidência, embora não tenha conseguido fazê-lo.
"O Plenário do Congresso da República, em sua sessão realizada hoje, admitiu as moções 19769, 19770, 19771 e 19772, e concordou em convidá-la a participar da sessão que o Plenário do Congresso da República realizará na quinta-feira, 9 de outubro de 2025, às 23h30 (horário local), momento em que ela será convocada a comparecer e defender sua presidência. (A carta enviada a Boluarte pelo Presidente do Congresso, José Enrique Jerí Oré, diz: "Nessa ocasião, o pedido de vacância da Presidência da República, solicitado por meio das moções mencionadas, será debatido e votado, com base no parágrafo 2) do artigo 113 da Constituição Política do Peru".
Na mesma carta, a presidente foi informada de que durante a sessão "ela poderá exercer seu direito de defesa pessoalmente ou ser assistida por um advogado por um total de sessenta minutos", o que significa que a sessão plenária continuará após a meia-noite em Lima.
Diante dessa situação, o canal RPP noticiou a presença de um grupo de pessoas cercando a parte externa da embaixada do Equador para impedir uma hipotética fuga de Boluarte, apesar de, horas antes, seu advogado Juan Carlos Portugal ter negado que ele estivesse pensando em pedir asilo.
Por enquanto, a Polícia Nacional do Peru (PNP) informou por meio da rede social X que está realizando "manobras preventivas fora do Congresso da República, com o objetivo de manter a ordem". "Pedimos aos manifestantes que estão exercendo pacificamente seu direito à liberdade de expressão que mantenham a calma e cooperem com a polícia", acrescentou a polícia, enfatizando que "a violência nunca é a solução".
DEBATE PRECIPITADO POR TIROTEIO NO SUL DE LIMA
O processo parlamentar, que poderia levar a um impeachment expresso, foi motivado por um ataque a um show da banda Agua Marina, realizado no Círculo Militar em Chorrillos - um distrito no sul da capital peruana - na noite de quarta-feira. Durante a apresentação da banda de cumbia, vários atiradores começaram a disparar e cinco pessoas ficaram feridas, quatro delas músicos, em um novo episódio de insegurança, que tem sido um dos principais focos dos recentes protestos contra o governo Boluarte.
O Ministério do Interior condenou imediatamente os acontecimentos e informou que a polícia estava investigando. No entanto, advertiu, em uma declaração publicada na rede social X, que o evento não tinha as garantias exigidas pelo ministério e que as autoridades policiais não haviam sido informadas sobre o evento.
"Os organizadores desse tipo de espetáculo público não esportivo são instados a cumprir todos os mecanismos e protocolos correspondentes para obter as permissões e garantias de segurança necessárias", diz o texto publicado.
Por outro lado, o presidente da Associação de Artistas, Walter Dolorier, rejeitou essas palavras nas últimas horas, assegurando que a Agua Marina tinha a licença municipal correspondente e ressaltando que os fatos ocorridos não podem ser atribuídos ao promotor do evento.
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