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Macron diz estar convencido de que Putin não quer a paz e só quer que a Ucrânia "capitule".
Ele acredita que uma derrota de Kiev significaria, em última instância, o "apagamento geopolítico" da Europa.
MADRID, 17 ago. (EUROPA PRESS) -
A chamada "coalizão dos dispostos", o grupo de países aliados à Ucrânia que se comprometeu a participar de uma hipotética missão para garantir a segurança de Kiev após um acordo de paz com a Rússia, acompanhará o presidente ucraniano Volodymyr Zelenski à Casa Branca na segunda-feira para mostrar uma "frente unida" ao presidente dos EUA, Donald Trump.
"Nosso objetivo para amanhã é simples", explicou o presidente francês Emmanuel Macron ao final da reunião telemática de domingo entre os chefes de Estado e de governo dos países participantes. "O primeiro é lembrar que queremos paz, uma paz sólida e sustentável, apresentar uma frente unida e reiterar quem está do lado do direito internacional", disse ele.
Macron, o principal interlocutor dos países participantes da reunião telemática de domingo, defendeu essa unidade como uma arma essencial para enfrentar a "Rússia de hoje", que ele descreveu como "uma potência imperialista e revisionista que desde 2008 se dedica a conquistar novos territórios, a revisar suas fronteiras internacionais e nunca cumpriu suas promessas de paz e não agressão".
"Por revisionista, quero dizer que ela reinterpreta os tratados internacionais e as fronteiras reconhecidas pela comunidade internacional. Ele avança e conquista", denunciou o presidente francês em referência à proposta apresentada pelo presidente russo Vladimir Putin de negociar a paz em troca da entrega do leste da Ucrânia, especialmente das províncias de Donetsk e Luhansk.
"Portanto, se formos fracos com a Rússia hoje, estaremos plantando as sementes dos conflitos de amanhã, que afetarão os ucranianos. E não se engane, eles também podem nos afetar no nível cibernético, no nível da informação ou em espaços disputados, do marítimo ao espacial", alertou.
"Porque se formos fracos hoje", insistiu Macron, "amanhã pagaremos caro, acreditem, caro, pelo apagamento geopolítico da Europa e pela insegurança que reinará".
"Com o conflito ucraniano, estamos redefinindo as regras de nossa segurança coletiva. Precisamos fazer parte disso. E é por isso que estamos indo para lá (para Washington) amanhã", acrescentou. "Quero uma Europa forte e poderosa, que seja respeitada por ser forte e, portanto, possa permanecer livre. É isso que faremos amanhã em Washington. É isso que levaremos conosco", acrescentou.
Macron, depois de agradecer ao presidente dos EUA, Donald Trump, por seus esforços de paz expressos na cúpula do Alasca, na última sexta-feira, com o presidente russo, Vladimir Putin, mostrou-se muito mais cético do que seu colega norte-americano em relação à obtenção de um acordo.
"Se eu acho que o presidente Putin quer a paz? A resposta é não. Se você me perguntar sobre minha convicção. Se você me perguntar sobre minha convicção pessoal, não. Se eu acredito que o presidente Trump quer a paz? Sim. Não acho que o presidente Putin queira a paz. Acho que ele quer a capitulação da Ucrânia. É isso que ele está propondo. Então, veremos", disse o líder francês.
COSTA PEDE MAIOR PRESSÃO SOBRE A RÚSSIA SE NÃO HOUVER CESSAR-FOGO
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, também presente na reunião, defendeu o "aumento da pressão sobre a Rússia" se nada do que está acontecendo levar a um cessar-fogo.
"Devemos respeitar", acrescentou, "o direito soberano da Ucrânia de determinar suas condições de paz" e saudou, assim como a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o fato de os Estados Unidos já terem acordado com a Rússia certas garantias de segurança para a Ucrânia e a Europa.
O enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, disse à Fox News que "os Estados Unidos estão potencialmente preparados para dar garantias de segurança no nível do Artigo 5, mas não da OTAN, e sim diretamente dos Estados Unidos e de outros países europeus".
O Artigo 5 da OTAN, vale lembrar, estabelece um princípio de defesa coletiva que implica que qualquer ataque a um país membro da OTAN representa um ataque aos demais e envolveria o início de conversações para organizar um contra-ataque conjunto.
Em entrevista à CNN, Witkoff também confirmou que obteve da Rússia a garantia de uma "consagração legislativa na Federação Russa" de "nenhum ataque a qualquer outro território quando o acordo de paz for codificado, e a consagração legislativa na Federação Russa de nenhum ataque a qualquer outro país".
Costa, a esse respeito, saudou "a disposição dos Estados Unidos de participar do fornecimento de garantias de segurança à Ucrânia, a fim de impedir futuras agressões russas e assegurar, juntos, uma paz justa e duradoura na Ucrânia. A Europa está pronta para fazer sua parte", disse ele.
Por fim, Zelenski agradeceu a todos pela participação em uma reunião que demonstrou, mais uma vez, que "há um claro apoio à independência e à soberania da Ucrânia".
"Todos concordam que as fronteiras não devem ser alteradas pela força. Todos concordam que as principais questões devem ser resolvidas com a participação da Ucrânia em um formato trilateral: Ucrânia, Estados Unidos e o líder russo", acrescentou.
Por fim, Zelenski saudou como "histórico" o envolvimento dos EUA na garantia da segurança da Ucrânia. "Essas garantias, fruto de nosso trabalho conjunto, devem ser realmente práticas, oferecendo proteção em terra, ar e mar, e devem ser desenvolvidas com a participação da Europa", recomendou.
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