Europa Press/Contacto/Danylo Antoniuk
MADRID 20 jan. (EUROPA PRESS) -
O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, denunciou nesta terça-feira como “cruéis” os contínuos ataques das forças russas à infraestrutura energética ucraniana, que deixaram sem luz e aquecimento alguns dos principais centros urbanos, como Kiev e Odessa, em um momento em que a população enfrenta temperaturas de “frio extremo”.
“Centenas de milhares de famílias estão agora sem aquecimento”, destacou o chefe de Direitos Humanos da ONU, que lembrou que “isso afeta especialmente os mais vulneráveis, incluindo crianças, idosos e pessoas com deficiência”.
Turk criticou Moscou por continuar com este tipo de ataques, apesar de ter sido amplamente comprovado o “grave impacto” que têm principalmente na população civil. “É uma clara violação das regras da guerra”, sublinhou.
“É terrível ver a população civil sofrer assim”, lamentou Turk, que instou as autoridades russas a cessarem os ataques a esses alvos, que só na noite passada causaram cortes no fornecimento de energia elétrica e aquecimento em várias regiões de todo o país, após semanas sofrendo contratempos semelhantes.
As Nações Unidas assinalaram que, desde outubro de 2025, as Forças Armadas russas intensificaram os ataques contra as infraestruturas energéticas da Ucrânia, que, somados aos de 2024, viram a sua capacidade para cobrir a procura de todo o país reduzida. Os cortes no abastecimento duraram até 18 horas por dia nestes meses.
Em Kiev, cerca de 4.000 edifícios ficaram sem aquecimento, segundo denunciou o prefeito da capital ucraniana, Vitali Klitschko. “A situação é complexa, pois a maioria deles está se conectando pela segunda vez após os danos sofridos pelas infraestruturas críticas em 9 de janeiro”, explicou.
Enquanto isso, a empresa estatal de energia Ukrenergo informou que, como consequência dos “graves danos” causados pelos ataques da noite passada, muitas regiões estão sob “restrições rigorosas” de consumo de energia.
A situação mais complexa continua em toda a região de Kiev, em Poltova, mas também nas que estão na linha de frente, como Kharkiv, Sumy e Donetsk. Os cortes no fornecimento são mais longos nessas regiões, informou a empresa. FECHAMENTO DE ESCOLAS
As baixas temperaturas, de até dez graus abaixo de zero, bem como os cortes no fornecimento de energia elétrica e aquecimento, impediram que os mais jovens pudessem retornar às salas de aula com segurança. Em Kiev, por exemplo, as autoridades tiveram que fechar as escolas devido a esses problemas.
Limitar o acesso à educação “é outro duro golpe para as crianças ucranianas”, disse Sven Coppens, responsável pela resposta humanitária à crise na Ucrânia da ONG Plan International. “Para as crianças ucranianas, a escola não é apenas um lugar para aprender, mas também um espaço fundamental de segurança, rotina e apoio emocional, do qual agora estão privadas”, disse ele.
“Cada semana adicional fora da escola amplia as lacunas educacionais e aprofunda o impacto psicológico desta guerra”, expôs Coppens, alertando que o trabalho das organizações humanitárias não é suficiente para cobrir essas demandas, pelo que é necessário, mais uma vez, o apoio da Ucrânia e de seus parceiros. “A educação não é um luxo”, destacou o responsável pela ONG. Nesse sentido, ele instou as autoridades ucranianas e seus parceiros a “continuarem priorizando a educação, investindo em soluções energéticas de emergência para as escolas e ampliando opções de aprendizagem flexíveis e inclusivas”.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático