Publicado 16/02/2026 09:30

Bruxelas envia uma comissária para a Junta de Paz de Trump, mas esclarece que a UE não fará parte dela.

12 de fevereiro de 2026: Ursula Von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, fala com a imprensa após o retiro informal dos líderes da UE no Castelo de Alden Biesen, em Bilzen, Bélgica, quinta-feira, 12.02.2026. Foto de Wiktor Dabkowski
Europa Press/Contacto/Wiktor Dabkowski

BRUXELAS 16 fev. (EUROPA PRESS) -

A Comissão Europeia informou que enviará a comissária para o Mediterrâneo, Dubravka Suica, para participar da próxima reunião do Conselho de Paz, que acontecerá no dia 19 de fevereiro em Washington, após ter rejeitado até o momento participar da iniciativa impulsionada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para estabelecer a paz em Gaza.

Questionado numa conferência de imprensa em Bruxelas sobre se a UE enviará algum membro do Executivo comunitário como observador ao Conselho de Paz, o porta-voz comunitário Guillaume Mercier não deu detalhes sobre o estatuto preciso, mas afirmou que Suica participará na reunião desta semana “na parte especificamente dedicada a Gaza”, e não quando forem abordados outros assuntos.

Além disso, ele ressaltou que, com essa participação, a Comissão Europeia “não se torna membro do Conselho de Paz”, limitando sua participação ao âmbito de “seu compromisso de longa data com a aplicação do cessar-fogo em Gaza”, mas também para “fazer parte dos esforços internacionais destinados a apoiar a reconstrução e a recuperação” após os ataques de Israel em Gaza.

“Para além do estatuto de participação no Conselho de Paz, o que importa é o que a UE pode contribuir para os debates, e temos um papel importante a desempenhar. Contamos com experiência, já dispomos de um apoio financeiro significativo, e é neste contexto que queremos participar nessas discussões”, acrescentou o porta-voz dos Negócios Estrangeiros, Anouar El Anouni.

Suica irá, portanto, a Washington na qualidade de comissária responsável pelo Mediterrâneo, para representar o compromisso comunitário com a implementação da paz em Gaza, bem como para recordar toda a contribuição que a UE tem vindo a dar, sendo ela “o maior doador” de ajuda à Palestina.

Depois de explicar que a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, está em contacto com os ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27 sobre o que a UE pode contribuir para garantir a paz em Gaza, El Anouni reiterou as dúvidas que o bloco comunitário tem sobre a “configuração estatutária” do Conselho de Paz, em particular sobre o seu âmbito de aplicação.

“SÉRIAS DÚVIDAS” DE COMPATIBILIDADE COM A ONU Até agora, tanto o Executivo comunitário como os 27 tinham recusado participar no Conselho de Paz, invocando “sérias dúvidas” sobre “a compatibilidade” da proposta apresentada pela Administração Trump com a Carta das Nações Unidas, a sua governação ou o seu âmbito de atuação.

Entre as dúvidas encontram-se algumas relativas ao formato, uma vez que há mais países do que a União Europeia esperava, e também pairam dúvidas jurídicas sobre a compatibilidade com a ONU e com o Direito da União Europeia, uma vez que Trump propôs que o futuro do organismo passe a ser permanente e a mediar outros conflitos, papel que já é desempenhado pelas Nações Unidas.

No entanto, no dia 19 de fevereiro, será realizada em Washington uma reunião do Conselho de Paz para reunir os líderes que compõem o órgão internacional, que conta com um total de 27 “membros fundadores”, entre os quais se encontram dois Estados-membros da UE, Bulgária e Hungria, enquanto a Itália participará como observadora.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, foi convidada para a reunião desta semana na capital americana, mas recusou participar, lembrando as reticências que gera em Bruxelas a adequação legal devido à vontade de Trump de transformar o organismo em uma entidade que medie em outras guerras.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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