Publicado 15/05/2026 10:06

Até 36 países ratificam a criação do Tribunal Especial para o Crime de Agressão na Ucrânia

Assinatura do acordo para a criação do chamado Tribunal Especial para o Crime de Agressão contra a Ucrânia, sob os auspícios do Conselho da Europa
CONSEJO DE EUROPA

Os ministros das Relações Exteriores também reafirmam sua determinação em garantir o retorno das crianças ucranianas

BRUXELAS, 15 maio (EUROPA PRESS) -

Um total de 36 países, juntamente com a Comissão Europeia, ratificaram um acordo para a criação do chamado Tribunal Especial para o Crime de Agressão contra a Ucrânia, sob os auspícios do Conselho da Europa, que terá o mandato de julgar altos dirigentes políticos e militares pela invasão russa da Ucrânia.

Mihai Popsoi, ministro das Relações Exteriores da Moldávia — país que atualmente ocupa a Presidência do Comitê de Ministros do Conselho da Europa — afirmou que o acordo adotado nesta sexta-feira na capital moldava, Chisinau, pelos 36 Estados-membros permitirá a “prestação de contas” pela invasão russa da Ucrânia.

“Para garantir a mais ampla legitimidade possível do tribunal especial, é importante que outros Estados também adiram ao acordo parcial ampliado”, declarou Popsoi, segundo um comunicado divulgado pelo Conselho da Europa, que conta com 46 Estados-membros.

Por sua vez, o secretário-geral do Conselho da Europa, Alain Berset, destacou que este tribunal “representa justiça e esperança”. “Agora é necessário dar continuidade a esse compromisso político, garantindo seu funcionamento e financiamento”, argumentou.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andri Sibiga, assegurou que “os alicerces morais da Europa e do mundo” só serão restabelecidos quando os crimes contra seu país forem punidos. “Não se trata de algo do passado, mas do futuro. Trata-se de restaurar um espaço comum de verdade, justiça e confiança”, destacou.

Sibiga também classificou o dia como “histórico”. “Estamos fazendo história. Assim como o tribunal de Nuremberg há 80 anos, este tribunal especial em Haia restaurará a justiça das ruínas da guerra”, assinalou nas redes sociais.

A Comissão Europeia anunciou nesta mesma sexta-feira que contribuirá com 10 milhões de euros para a criação do tribunal e que destinará mais um milhão para a chamada Comissão Internacional de Reclamações para a Ucrânia, cujo objetivo é analisar os pedidos de indenização por danos, perdas e lesões causados pela Rússia à Ucrânia e ao povo ucraniano.

A iniciativa do tribunal especial foi impulsionada pelo Conselho da Europa diante das limitações jurisdicionais do Tribunal Penal Internacional (TPI) para investigar altos mandos políticos e militares responsáveis por planejar, preparar, iniciar ou executar a invasão russa.

A criação deste tribunal — cuja jurisdição se baseia nas leis ucranianas — tem como objetivo garantir seu caráter “internacional, independente e legítimo”. O Parlamento Europeu aprovou esta iniciativa em abril por meio de uma resolução.

Especificamente, 34 países europeus assinaram o acordo — Andorra, Áustria, Bélgica, Croácia, Chipre, República Tcheca, Dinamarca, Estônia, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Islândia, Irlanda, Itália, Letônia, Liechtenstein, Lituânia, Luxemburgo, Mônaco, Montenegro, Países Baixos, Noruega, Polônia, Portugal, Moldávia, Romênia, San Marino, Eslovênia, Espanha, Suécia, Suíça, Ucrânia e Reino Unido), bem como a União Europeia, a Austrália e a Costa Rica.

Os ministros das Relações Exteriores, no âmbito da reunião do Conselho da Europa, também reafirmaram sua determinação em garantir o retorno das crianças ucranianas deportadas ilegalmente ou transferidas à força pela Rússia, inclusive no âmbito da sentença de julho de 2025 do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, que declarou Moscou responsável por violações em massa dos direitos humanos e pelo abate do voo MH17.

Além disso, manifestaram a intenção de continuar a contribuir para o programa de reformas da Ucrânia, em particular por meio do Plano de Ação para a Ucrânia “Resiliência, Recuperação e Reconstrução 2023-2026”, facilitando o caminho de Kiev para a adesão à UE em áreas como justiça, proteção social e combate à corrupção, entre outras.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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