Publicado 16/02/2026 10:40

Araqchi se reúne com o diretor da AIEA antes do encontro com os EUA em Genebra

7 de fevereiro de 2026, Doha, Catar: O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, discursa durante a abertura do 17º Fórum Al Jazeera.
Europa Press/Contacto/Yousef Masoud

“O que não está em discussão: submissão às ameaças”, afirma o ministro, enquanto Teerã diz estar pronta para fechar um acordo MADRID 16 fev. (EUROPA PRESS) -

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, e o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, mantiveram uma reunião técnica antes do encontro desta terça-feira com os Estados Unidos em Genebra, que será a continuação da primeira rodada de contatos realizada em Omã no início do mês.

“Acabei de concluir discussões técnicas aprofundadas com o ministro das Relações Exteriores do Irã em preparação para importantes negociações programadas para amanhã em Genebra”, informou Grossi em uma mensagem nas redes sociais, sem revelar mais detalhes sobre o encontro.

Araqchi viajou para a Suíça para a segunda rodada de negociações nucleares com os Estados Unidos, contexto em que incluiu em sua agenda um encontro com o diretor-geral da AIEA. O chefe da diplomacia iraniana também deve se reunir com seu homólogo omanense, Badr al Busaidi, “antes da diplomacia com os Estados Unidos, na terça-feira”. Araqchi garantiu que chega à Suíça com “ideias reais” com o objetivo de alcançar um “acordo justo e equitativo” com Washington sobre seu programa nuclear, ao mesmo tempo em que enfatizou que “o que não está em discussão (é) a submissão às ameaças”.

Neste domingo, o Irã confirmou a segunda rodada de negociações, em entrevista à rede de televisão britânica BBC. “Faremos tudo o que pudermos” para chegar a um acordo, disse ele, embora tenha destacado que o programa de mísseis balísticos iraniano não é um tema negociável. “A bola está no campo dos Estados Unidos. A outra parte também tem que demonstrar que é igualmente sincera”, considerou, após destacar que a primeira rodada de contatos, realizada em Omã em 6 de fevereiro, foi “mais ou menos positiva, mas ainda é muito cedo para avaliar”. Nesses contatos, Teerã ofereceu diluir o urânio enriquecido a 60% com o qual já conta como prova de sua vontade de chegar a um acordo.

NEGOCIAÇÕES “JUSTAS” Em uma série de declarações antes da reunião em Genebra, vários líderes iranianos sinalizaram as intenções de Teerã de manter negociações “justas” com os Estados Unidos sobre a questão nuclear. Segundo o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Lariyani, até agora houve “uma troca de pontos de vista” com Washington. “Ela ainda continua, e os países da região apoiam a obtenção de uma solução política para a questão nuclear”, defendeu, negando assim que haja demandas por escrito da parte americana.

Lariyani pediu negociações "justas e razoáveis", insistindo que os contatos não se prolonguem ou sirvam para impor questões alheias ao âmbito nuclear. Da mesma forma, ele destacou a abertura de Teerã à supervisão da AIEA, mas insistiu que não é "realista" exigir "enriquecimento zero" das autoridades iranianas.

“O conhecimento nuclear não pode ser eliminado por decisão política e o Irã tem necessidades médicas e de pesquisa legítimas”, enfatizou. AVANÇAR APESAR DO CONTEXTO DE DESCONFIANÇA

Antes de viajar para Genebra, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqaei, afirmou que Teerã enviará uma “equipe completa” para as negociações, tanto “política, jurídica, econômica e técnica”, apontando a intenção de Teerã de chegar a um acordo e não prolongar as negociações com Washington.

“Da nossa parte, todos os especialistas e representantes necessários para opinar e tomar decisões sobre os diferentes aspectos de um acordo estarão presentes”, adiantou ele em entrevista à agência estatal IRNA. Segundo ele, as negociações das últimas duas semanas estão sendo conduzidas em um quadro “orientado para objetivos e de forma unificada”, instando a avançar nas conversações. De todo modo, Baqaei reconheceu que as negociações ocorrem em um “contexto de total desconfiança e receio”. “Contamos com experiências anteriores e não estamos autorizados, de forma alguma, a esquecer essas experiências nem por um momento”, disse ele, lembrando os contatos nucleares anteriores do mês de junho que terminaram abruptamente com ataques de Israel e dos Estados Unidos.

Baqaei insistiu nos fins pacíficos do programa nuclear, afirmando que Teerã não chegou a questões técnicas nas conversações, como “qual será o nível de enriquecimento” ou “em que quantidade e quantas centrífugas teremos”. “Nossa postura sempre foi a de participar de um processo e de uma negociação em que se respeite o direito do Irã de utilizar a energia nuclear para fins pacíficos, incluindo o enriquecimento”, defendeu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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