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MADRID, 26 mar. (EUROPA PRESS) -
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou nesta quarta-feira que “não há negociações nem conversas” com os Estados Unidos para pôr fim à guerra desencadeada pela ofensiva lançada pelo país norte-americano em conjunto com Israel em 28 de fevereiro, embora tenha reconhecido “mensagens” vindas de Washington que, no entanto, não constituem “negociação nem diálogo”.
“Afirmo com absoluta certeza que não houve negociações nem conversas com a parte americana”, declarou Araqchi em entrevista à agência iraniana IRNA, da qual ele mesmo deu destaque nas redes sociais e na qual, por outro lado, sinalizou que “há alguns dias, a parte americana começou a enviar diversas mensagens por meio de vários intermediários”.
No entanto, o chefe da diplomacia iraniana defendeu que o fato de “essas mensagens serem transmitidas por meio de nossos países amigos e de nós, em resposta, anunciarmos nossas posições ou emitirmos as advertências necessárias, não é negociação nem diálogo”. “É simplesmente uma troca de mensagens entre amigos, e nessa troca reiteramos nossas posições de princípio e, em alguns casos, também emitimos advertências”, esclareceu.
Nesse sentido, ele ressaltou que a política atual do Irã “é continuar a resistência e a defesa do país”. “Não buscamos a guerra; esta guerra não é nossa; não a iniciamos e queremos que termine, mas de forma que não se repita. Por isso não queremos um cessar-fogo”, afirmou. “Queremos que a guerra termine nos nossos próprios termos e de forma que não se repita e que nossos inimigos aprendam a lição e nem sequer tenham o desejo de atacar o Irã”, afirmou, ao mesmo tempo em que reivindicou que “o povo iraniano deve ser indenizado pelos danos sofridos”.
Além disso, classificou como “uma admissão de derrota” o fato de o Executivo norte-americano estar falando em negociações. “Acaso não falavam antes de uma ‘rendição incondicional’? O que aconteceu agora que falam em negociações e as exigem?”, questionou retoricamente.
DEFENDE A DECISÃO DE FECHAR ORMUZ AOS “INIMIGOS”
Araqchi também se referiu ao tráfego marítimo no estreito de Ormuz, um dos pontos mais críticos do conflito, que elevou drasticamente os preços do petróleo e levou Donald Trump a ameaçar, na semana passada, destruir usinas elétricas iranianas caso Teerã não abrisse “totalmente” o estreito de Ormuz, embora na segunda-feira — poucos instantes antes do término do prazo de 48 horas que ele próprio havia estabelecido — tenha acabado por ordenar às suas Forças Armadas que adiassem por cinco dias qualquer ataque contra essas instalações.
No entanto, o governo iraniano negou nas últimas semanas um fechamento total da passagem estratégica que liga os golfos Pérsico e de Omã, assim como fez nesta quarta-feira seu ministro das Relações Exteriores, que defendeu que “não está completamente fechado”, mas “apenas para os inimigos”.
“É natural; estamos em uma situação de guerra, é uma zona de guerra. Não há motivo para permitir a passagem dos navios de nossos inimigos e seus aliados. Mas para os demais, a passagem é livre”, explicou, antes de lamentar que, de qualquer forma, “esses navios costumam evitá-la devido à insegurança existente”, já que “alguns não contam com a cobertura de suas seguradoras, desse seguro de guerra, por assim dizer, e não transitam por lá”.
Nesse sentido, ele afirmou que, no caso de “muitos desses navios, seus proprietários ou os países que os possuem entraram em contato” com as autoridades iranianas para que lhes fosse proporcionada “uma passagem segura pelo estreito”. “Para alguns desses países, que são nossos aliados ou por qualquer outro motivo, nossas forças armadas lhes proporcionaram essa passagem”, garantiu.
“O Estreito de Ormuz encontra-se em nossas águas internas e nas de Omã. Embora queiram considerá-lo águas internacionais, a realidade é que se encontra em águas territoriais do Irã e de Omã, e temos soberania sobre ele”, argumentou, antes de anunciar que, de cara ao futuro, o governo iraniano está “considerando novos acordos para garantir a passagem segura na zona”.
Suas palavras foram proferidas logo após o canal estatal Press TV, citando um alto funcionário político e de segurança com conhecimento sobre os contatos, ter informado que o Irã recebeu uma proposta dos Estados Unidos, que iniciaram contatos por meio de diversos canais diplomáticos, embora, para a República Islâmica, as propostas sejam “excessivas” e não correspondam à realidade no terreno.
As autoridades iranianas têm insistido que os Estados Unidos e Israel devem cessar a “agressão e os assassinatos” contra o Irã, além de mecanismos concretos para que o ataque contra Teerã não se repita, reparações de guerra e o reconhecimento por todos os atores internacionais da autoridade iraniana sobre o Estreito de Ormuz.
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