Europa Press/Contacto/Foad Ashtari
Descarta renegociar com o governo Trump sobre o programa nuclear iraniano: “Não acredito que isso volte a estar em nossa agenda”. Descreve as vítimas civis em ataques de retaliação na região como “danos colaterais” e culpa Washington e Israel por “impor” a guerra. MADRID 10 mar. (EUROPA PRESS) -
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou nesta segunda-feira que os Estados Unidos e Israel “não têm nenhum objetivo” em sua ofensiva contra o país centro-asiático e denunciou ataques contra “áreas residenciais, hospitais e escolas”, bem como contra infraestruturas iranianas que ele associou ao aumento dos preços do petróleo.
“Não acredito que tenham um objetivo realista em mente, porque estamos vendo uma espécie de caos em suas ações. Eles começaram a nos atacar cegamente. Hoje mesmo estão atacando. Atacaram áreas residenciais, hospitais e escolas”, destacou em entrevista à rede americana PBS.
Na mesma entrevista, o chefe da diplomacia iraniana também alertou para operações militares contra infraestruturas iranianas, “uma manobra muito perigosa” que, segundo ele, resulta no “aumento dos preços do petróleo em todo o mundo”. “No início, eles não alcançaram seus objetivos. E agora, após 10 dias, acredito que não tenham nenhum objetivo", acrescentou. "Isso não é culpa nossa, não é nosso plano", defendeu Araqchi em relação ao aumento do preço do petróleo, cuja produção e transporte "foram desacelerados ou interrompidos (...) pelos ataques e agressões de israelenses e americanos".
Nessa linha, ele denunciou que os governos de Israel e dos Estados Unidos “geraram insegurança e instabilidade em toda a região, e as consequências são enormes não apenas para nós, mas para toda a região e agora para a comunidade internacional”. “Os petroleiros e os navios têm medo de passar pelo estreito de Ormuz. Não fechamos esse estreito. Não estamos impedindo que naveguem por ele. Mas isso é resultado da agressão israelense e americana”, afirmou no mesmo dia em que a Guarda Revolucionária iraniana garantiu que deixará passar livremente os navios dos países europeus que expulsarem os embaixadores dos Estados Unidos e de Israel.
Enquanto isso, descartou qualquer negociação futura com Washington: “Não acredito que a questão de conversar ou negociar com os americanos volte a estar em pauta”, afirmou. “Temos uma experiência muito amarga ao conversar com os americanos. Negociamos com eles no ano passado, em junho, e eles nos atacaram no meio das negociações”, lembrou Araqchi, antes de se referir às conversas mantidas em 2026, nas quais o governo de Donald Trump teria prometido a Teerã “que não tinha intenção de atacar”.
“Eles queriam resolver a questão nuclear do Irã de forma pacífica e encontrar uma solução negociada, e finalmente aceitamos. Mas, novamente, após três rodadas de negociações e depois que a equipe americana afirmou que havíamos feito um grande progresso, mesmo assim eles decidiram nos atacar”, lamentou Araqchi. “Portanto, não acredito que conversar com os americanos volte a estar em nossa agenda”, acrescentou.
DEFENDE AS REPRESÁLIAS NO ORIENTE PRÓXIMO Por outro lado, defendeu os ataques de represália lançados pelas Forças Armadas iranianas contra vários países do Oriente Próximo, especialmente da Península Arábica: “É um ato de legítima defesa, que é legal e legítimo”, assegurou, afirmando que Teerã se encontra diante de “uma guerra imposta” e de “um ato de agressão (...) absolutamente ilegal”.
“Já avisamos a todos na região que, se os Estados Unidos nos atacarem, como não podemos chegar ao solo americano, teremos que atacar suas bases na região, suas instalações, seus ativos. E, como resultado, a guerra se estenderia por toda a região”, argumentou o ministro iraniano. “Essas são as consequências da agressão americana contra nós. Não somos responsáveis por isso”, acrescentou, afastando assim a possibilidade de reconhecer qualquer culpa pela morte de civis nos bombardeios iranianos contra países da região.
Apesar disso, ele observou que “os civis não são alvos legítimos”, depois que as represálias iranianas causaram vítimas fatais entre a população no Bahrein, nos Emirados Árabes Unidos e no Curdistão iraquiano, entre outros lugares. “Talvez tenha havido danos colaterais, o que é natural em qualquer guerra, mas nós não atacamos (...) nenhum local civil”, declarou, diferenciando-se assim “dos americanos, que atacaram deliberadamente nossas escolas, hospitais e infraestrutura, incluindo a dessalinização da água”.
Simultaneamente, o chefe da diplomacia iraniana admitiu que os países do Oriente Médio atacados por Teerã “têm todo o direito de tomar todas as medidas necessárias para proteger suas instalações”, embora tenha reivindicado que o Executivo iraniano tem “mais direito de tomar todas as medidas necessárias” para se defender. “Saibam disso: esta não é nossa guerra. Não é nossa escolha. Esta guerra nos foi imposta. Estamos sendo atacados e nos defendendo. Não podem nos acusar pelo que acontece no outro lado. Deveriam acusar aqueles que iniciaram esta guerra, e acredito que deveriam prestar contas por qualquer dano dentro do Irã e na região, porque tudo começou pelos Estados Unidos e Israel”, concluiu.
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