MADRID 11 abr. (EUROPA PRESS) -
A crise de deslocados provocada pelos ataques de Israel no Líbano acabou por se agravar após o "devastador", nas palavras da Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR), de quarta-feira contra mais de uma centena de áreas do país, que deixou até agora mais de 300 mortos e colocou em risco a segurança de mais de um milhão de pessoas obrigadas a abandonar suas casas.
O acesso às pessoas afetadas está cada vez mais restrito; mais de 680 abrigos que acolhem cerca de 140.000 pessoas deslocadas estão gravemente superlotados, e quase metade das escolas públicas do Líbano funciona agora como abrigo, deixando mais uma vez as crianças fora das salas de aula e “enfrentando o medo, a ansiedade e o deslocamento repetido”.
“Zonas que antes eram consideradas seguras foram atacadas, o que provocou pânico e obrigou as pessoas a fugir pela segunda ou até terceira vez”, lamentou o ACNUR antes de exigir que a população deslocada “seja protegida em todos os momentos”.
“A escalada provocou uma perda maciça de vidas e agravou o sofrimento, bem como a destruição de moradias e bens. Famílias que já haviam fugido de hostilidades anteriores em Beirute, no Vale do Bekaa e no sul do Líbano, algumas das quais começavam a considerar o retorno após sinais contraditórios sobre um possível cessar-fogo, viram-se mais uma vez deslocadas”, acrescentou.
Além disso, o ACNUR lembra que tudo isso ocorre enquanto Israel está prestes a consolidar sua invasão do sul do Líbano, em parte graças à destruição das pontes que cruzam a barreira geográfica do rio Litani. Assim, “para muitas famílias das aldeias do sul, o retorno já não é possível, uma vez que comunidades inteiras ficaram parcial ou totalmente destruídas”.
O ACNUR estima que cerca de 150.000 pessoas permaneçam ainda no sul, que “o acesso humanitário a elas é essencial, e elas precisam de rotas seguras para fugir caso sejam obrigadas a fazê-lo”.
SOB OS ESQUARROS
Nesse contexto, trabalhadores humanitários da ONU alertaram que muitas das vítimas dos ataques aéreos no Líbano “continuam sob os escombros”, enquanto o pessoal de saúde no terreno, os hospitais e as ambulâncias enfrentam novas ameaças de ataque e uma escassez “iminente” de alimentos no sul do país.
“Na verdade, muitas outras pessoas continuam desaparecidas. Acredita-se que estejam sob os escombros”, alertou o representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) no país, Abdinasir Abubakar, que confessou ter recebido um novo aviso das autoridades israelenses de que “as ambulâncias também serão atacadas” devido ao seu suposto “uso por parte do (partido-milícia xiita libanês) Hezbollah”.
“Os profissionais de saúde, as instalações e as ambulâncias estão protegidos pelo Direito Internacional Humanitário”, lembrou o representante da OMS no país antes de ressaltar que, sem esses serviços, é impossível “salvar vidas”.
Nesse contexto, o funcionário da agência de saúde da ONU apresentou como inviável a possibilidade de transferir os pacientes das instalações afetadas, pois “não há nenhum outro lugar para onde evacuá-los”. De fato, ele destacou que, “mesmo antes do incidente com inúmeras vítimas na quarta-feira, o país já não contava com suprimentos médicos suficientes para um mês”.
A isso se somam as escassas reservas de alimentos com que a população conta, o que disparou os preços de alimentos essenciais como pão ou verduras, dando origem a uma situação “profundamente preocupante”, sobretudo para as famílias que “já estão passando por dificuldades”.
“Os preços sobem, a renda é afetada e a demanda aumenta. É uma combinação muito preocupante”, acrescentou a diretora do Programa Mundial de Alimentos (PMA) no Líbano, Allison Oman, que lamentou que, nas áreas afetadas pelo conflito no sul do Líbano, mais de 80% dos mercados já não estejam funcionando.
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