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MADRID 16 jul. (EUROPA PRESS) -
O alto comissário para a Paz da Colômbia, Otty Patiño, alertou nesta quinta-feira que anular os avanços alcançados para levar estabilidade a certas comunidades pode desencadear novamente episódios de violência nessas áreas, enquanto o presidente eleito, Abelardo de la Espriella, anunciou que eliminará tanto esse cargo quanto as políticas que visam a reconciliação.
Patiño defendeu as conquistas que a questionada política de paz total do atual presidente colombiano, Gustavo Petro, alcançou em certos territórios, que, embora não abranjam um departamento inteiro, abrangem áreas “muito específicas” onde os avanços foram importantes para as comunidades que ali vivem.
“Em alguns lugares conseguiu-se avançar mais, em outros menos, mas é muito importante observar esses avanços. O que já foi conquistado não pode ser apagado, pois isso significaria um desrespeito a essas comunidades que também avançaram nesses processos”, destacou Patiño, em entrevista à Caracol Radio.
Patiño acredita que a rejeição de certos setores a essas políticas decorre do desconhecimento sobre o que ocorre nas áreas afetadas, onde as vítimas não são apenas vítimas da presença de grupos armados, mas também das dinâmicas que ali se desenrolam, como não ter outra escolha a não ser se ver obrigada a participar de economias ilícitas, seja por pressão, seja por necessidade.
“Esta é uma paz diferente daquela de 2016, porque é uma paz territorial, é uma paz que muitas pessoas não compreendem porque não se aproximaram desses territórios onde a população sofre com o domínio da ilegalidade, não apenas por causa dos atores envolvidos, mas também por causa das economias ilícitas — que são o que movimenta o dinheiro por lá e, naturalmente, atendem a algumas das necessidades mais urgentes”, explicou.
No entanto, o alto comissário lamentou o fracasso de alguns processos, como é o caso das negociações com a guerrilha do Exército de Libertação Nacional (ELN), reconhecendo que havia “a ilusão” de que “se alcançaria uma paz rápida”, mas o grupo armado “não atendeu a essas expectativas”.
“Ele se afastou muito cedo dos esforços de paz empreendidos por este governo”, lamentou Patiño, que garantiu que, se bastasse eliminar a figura do alto comissário para restabelecer a paz, “que assim seja”.
Patiño faz assim alusão à ideia de Abelardo de la Espriella de acabar com essa figura jurídica, que existe há mais de dez anos nos governos colombianos, e nomear, em seu lugar, um comissário para a segurança.
O cargo de comissário para a paz foi criado formalmente em 1994, durante a presidência de Ernesto Samper, embora já houvesse iniciativas iniciais em andamento desde a década de 80 para se aproximar das guerrilhas. Seu papel foi especialmente determinante durante os acordos de paz com as FARC em 2016.
A negociação com o ELN foi a principal promessa de Petro durante a campanha que o levou à Casa Nariño e teve início logo após sua posse, em agosto de 2022. No entanto, após várias crises de confiança de todos os tipos, em janeiro de 2025, ele decidiu suspender o diálogo em resposta à violenta ofensiva que o grupo armado lançou na região de Catatumbo contra as dissidências das FARC.
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