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Berlim conclama o Hamas a aceitar a proposta e enfatiza que "essa oportunidade" de paz "não pode ser perdida".
MADRID, 30 set. (EUROPA PRESS) -
O governo alemão disse que a proposta de plano de paz apresentada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em Washington, para acabar com o conflito na Faixa de Gaza, representa "uma oportunidade única para acabar com a horrível guerra" no enclave palestino.
"O plano dos EUA para Gaza (...) oferece esperança a centenas de milhares de pessoas que sofrem em Gaza com os intensos combates, a cruel tomada de reféns e a inimaginável crise humanitária", disse o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, que afirmou que "finalmente há esperança para israelenses e palestinos de que essa guerra possa terminar em breve".
Ele enfatizou que "essa oportunidade não deve ser perdida" e conclamou o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) a dar sua aprovação ao texto. "Peço a todos aqueles que podem influenciar o Hamas que o façam agora", disse ele, de acordo com um comunicado publicado pelo Ministério das Relações Exteriores da Alemanha.
Wadephul também agradeceu a Trump por "seu firme compromisso de acabar com a guerra". "O fato de Trump querer até mesmo assumir a liderança do 'Conselho da Paz' demonstra sua seriedade", argumentou, referindo-se ao órgão proposto para um corpo governante interino no enclave.
"Agradeço aos Estados árabes da região e a outros países muçulmanos que assumem a responsabilidade e querem tornar possível a paz em Gaza com seus recursos e apoio concreto", disse o ministro, que insistiu que "o governo alemão está preparado para dar apoio concreto ao plano".
"Acompanhamos as negociações desde o início com inúmeras conversas. Compartilhamos um objetivo comum com nossos parceiros americanos, árabes e europeus: a segurança duradoura do Estado judeu de Israel e uma perspectiva política para os palestinos", disse Wadephul, enfatizando que "esse acordo pode abrir caminho para um processo de reconciliação abrangente no Oriente Médio".
Nesse sentido, ele reiterou que "devemos aproveitar essa oportunidade" e destacou que na terça-feira da próxima semana completam-se dois anos dos "horríveis ataques terroristas" de 7 de outubro de 2023. "Vamos nos lembrar dos mortos. Os reféns ainda mantidos pelo Hamas já poderiam estar livres nesse dia, desde que todos os envolvidos tenham a coragem de dar o passo final e decisivo.
Trump apresentou um plano na segunda-feira que prevê um cessar-fogo e a libertação dos reféns israelenses dentro de 72 horas e inclui a formação de um órgão de governo interino chamado "Conselho da Paz", a ser presidido pelo próprio Trump. Além disso, uma "Força Internacional de Estabilização" controlaria o enclave palestino e desarmaria o Hamas.
Em troca, de acordo com a proposta apresentada após uma reunião entre Trump e Netanyahu, assim que todos os reféns forem libertados, Israel libertará 250 prisioneiros palestinos condenados à prisão perpétua e 1.700 habitantes de Gaza detidos após o ataque de 7 de outubro de 2023, "incluindo todas as mulheres e crianças detidas nesse contexto".
Após a aceitação do acordo, a ajuda humanitária voltaria a entrar na Faixa de Gaza de acordo com os termos do acordo de 19 de janeiro e seria gerenciada pela ONU e suas agências, pela Cruz Vermelha e por "outras organizações internacionais não vinculadas de forma alguma a nenhuma das partes".
O horizonte final da proposta é que "quando as condições forem atendidas, haverá um caminho confiável para a autodeterminação palestina e um Estado palestino próprio, que reconhecemos como a aspiração do povo palestino". "Israel não ocupará nem anexará Gaza", afirma o plano, publicado pela Casa Branca, que, no entanto, prevê que as tropas israelenses permaneçam em "um perímetro de segurança que existirá até que Gaza esteja segura contra qualquer ressurgimento da ameaça terrorista".
A ofensiva israelense contra a Faixa, lançada após os ataques de 7 de outubro de 2023, deixou até agora mais de 66.000 palestinos mortos e mais de 168.300 feridos, de acordo com as autoridades de Gaza controladas pelo Hamas, em meio a críticas internacionais às ações do exército israelense no enclave, especialmente sobre o bloqueio à entrega de ajuda humanitária.
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